Rede criminosa de tráfico humano detida pela PJ tinha um informador na Autoridade para as Condições do Trabalho

A rede criminosa que sujeitou a trabalho escravo cerca de 350 imigrantes na agricultura em Beja e em Cuba tinha um informador na Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), que avisava quando haveria “um controlo” por parte das autoridades – o homem, de identidade desconhecida, é agora alvo do Ministério Público e da Polícia Judiciária depois de ter sido apanhado numa escuta telefónica a conversar com Dino, um dos membros da rede.

Recorde-se que as autoridades detiveram 35 pessoas a 23 de novembro último, indiciados por crimes de associação criminosa, tráfico de seres humanos, branqueamento de capitais e falsificação de documentos. Nesse dia, cerca de 400 inspetores realizaram 65 buscas depois de mais de um ano de investigação, com escutas e vigilância ao grupo que ‘escravizou’ cerca de 350 imigrantes.

A rede tinha “uma estrutura humana e logística estável e hierarquizada, com distinção de tarefas, responsabilidades e ganhos”, revelou esta sexta-feira o jornal ‘Expresso’. O plano de aliciar trabalhadores da Roménia, Moldávia, Ucrânia, Índia, Senegal, Timor, Paquistão, Marrocos e Argélia foi concebido por dois cidadãos romenos, que recrutaram para a estrutura mais elementos com ligações familiares.

A estratégia passava por apresentar um sonho nos países: “Trabalho em Portugal em troca de um salário de bom nível, condições e alojamentos dignos.” No entanto, a realidades era outra. “As vítimas são surpreen­didas com condições que não correspondem às previamente acordadas, sendo obrigadas a trabalhar em troca de um salário baixo (por vezes inexistente), alojamento precário, em coabitação com dezenas de pessoas, amontoadas em locais indignos, sem higiene e mantimentos básicos, e em condições de trabalho indignas”, pôde ler-se no processo. Por seu lado, os elementos da rede “recebem lucros de avultada dimensão, sem qualquer respeito pela condição humana”.

O dinheiro praticamnte não chegava aos imigrantes, ameaçados com violência a cada protesto e vigiados. “Os montantes que deveriam ser utilizados para pagar os salários são utilizados para proveito dos arguidos, sendo apenas uma ínfima parte dada aos trabalhadores, apenas lhes permitindo sobreviver”, referiu o processo.




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