Quando é que a covid-19 vai acabar? Isto foi o que aconteceu com outras pandemias

Quando é que a pandemia da Covid-19 acaba tem sido a pergunta sem resposta a fazer eco constante e regular nas nossas cabeças, sobretudo a partir do momento em que o mundo recebeu as primeiras vacinas e a expetativa era que gerasse uma imunidade de grupo. Uma série de variantes mais contagiosas acabou por nos trocar as voltas.

Agora, quase dois anos depois de a Organização Mundial da Saúde ter decretado que a Covid-19 era uma pandemia, ainda não há resposta definitiva. Será que olhar para o que aconteceu com outras doenças igualmente disseminadas por todo o mundo nos pode indicar quando chegará esse momento?

O caso da pneumónica de 1918

Foi na primavera de 1918 que uma primeira vaga de uma gripe mortal começou a espalhar-se. Segundo se estima, cerca de 500 milhões de pessoas – qualquer coisa como um terço da população mundial na altura – terão sido infetados. Embora parecesse leve, a doença rapidamente se tornou devastadora e cidades inteiras simplesmente fecharam-se em casa, deixando as ruas vazias. Além disso, as funerárias ficaram tão sobrecarregadas que obrigaram as autoridades a abrir escolas para acolher os mortos.

Tal como aconteceu agora com a Covid-19, multiplicaram-se as ondas de contagio, ao todo quatro, entre 1918 e 1920. Sem vacinas ou tratamentos eficazes, as pessoas socorreram-se das medidas de saúde pública que nos são agora também familiares: usar máscara, evitar multidões e manter os encontros ao ar livre.

Já o seu fim não tem propriamente uma data fixa. “O que aconteceu foi que essa infeção acabou, gradualmente, por se tornar mais leve, afetando as pessoas a uma escala cada vez menor”, explicou Alexander White, especialista da Escola de Medicina Johns Hopkins, citado pela CTV News, um canal de notícias canadiano. Essencialmente, o vírus foi mudando para se tornar menos agressivo – ao mesmo tempo que deixou de ter pessoas para infetar, depois da morte de 500 milhões em todo o mundo, como acrescenta Naomi Rogers, professora de História da Medicina na Universidade de Yale.

No entanto, não quer dizer, sublinhou ainda aquela especialista, que se possa concluir que o mesmo vai acontecer com a Covid-19. “Especialmente à medida que continuam a surgir novas variantes e a possibilidade de infeção consegue furar a expetável imunidade conferida pela vacinação”. No seu entender, aquela pandemia também acabou porque tanto população como políticos fizeram um esforço para a esquecerem”, rematou.

Varíola, a única que acabou com a vacina

É um fator distintivo: a varíola é a única doença infecciosa erradicada mundialmente através da vacinação. Quem adoecia desenvolvia bolhas vermelhas por todo o corpo, com lesões à volta do nariz e da boca – erupções comparáveis às encontradas nas múmias egípcias, sugerindo assim que o vírus já existia há cerca de 3 mil anos. Contas feitas, cerca de três em cada 10 pessoas infetadas acabariam por morrer e, ao longo dos anos, aquele vírus acabaria por provocar numerosas vagas epidémicas ao longo do tempo.

Inventada no final do século XVIII, a primeira vacina tornou-se amplamente aceite pouco depois. Quando nos anos 1960, a Organização Mundial da Saúde lançou a sua ambiciosa campanha de vacinação, a doença já tinha sido considerada eliminada na América do Norte e na Europa, mas ainda causava grandes preocupações na América do Sul, Ásia e África.

“Talvez por isso hoje se associe o anúncio de uma vacina ao fim de uma epidemia. Mas não é isso que a história mostra”, sublinha a mesma especialista, lembrando ainda que levou mais de uma década, após a primeira vacina contra a poliomielite ter sido introduzida, para que os EUA se tornassem livres daquela doença.

A analogia com a sida

Embora sejam epidemiologicamente diferentes, a infeção provocada pelo vírus da imunodeficiência humana (VIH) provocou igualmente grandes desigualdades na sociedade, com um enorme impacto no mundo nos anos 1980.
Ainda sem vacina, o VIH é um vírus que ataca o sistema humanitário, propagando-se através do contato direto de certos fluidos corporais, como sangue ou sémen, de alguém com carga viral detetável. Se não for tratado, pode levar ao desenvolvimento da doença (sida) e à morte em pouco tempo. Segundo as contas da OMS; cerca de 36,3 milhões de pessoas morreram já devido ao VIH.

“Na verdade, penso que o caso da sida serve de analogia para a Covid-19”, explica a mesma Naomi Rogers. “É mesmo muito interessante pensar no tipo de lições que não retirámos dessa pandemia”, a lembrar como governos e sociedades em geral ignoraram a ameaça de doença infecciosa pandémica há tempos assinalada pelos especialistas.

O certo é que ainda não há cura para a sida, nem vacina. Em 2020, cerca de 1,5 milhões de pessoas ficaram infetadas com aquele vírus e outras 680 mil morreram de causas relacionadas.

Ler Mais


Comentários
Loading...