Qatargate: Irmã de Eva Kaili tenta eliminar registos que a ligam a atividades de lobbying do arquivo da transparência europeia

Mantalena Kaili, irmã da ex-vice-presidente do Parlamento Europeu Eva Kaili, estáa tomar medidas para ver o seu nome afastado das ações da irmã, bem como da sua atividade como lobbyista na União Europeia.

Eva, detida em dezembro por suspeitas de corrupção, no escândalo de subornos investigado e que envolve ONGs de lobbying, o Qatar e Marrocos, e o Parlamento Europeu, era presença assídua nos eventos organizados pela irmã mais nova na organização não-governamental de que era uma das responsáveis, o MADE Group.

A associação de Mantalena, fundada na Grécia, desenvolvia trabalho de lobbying relacionado de perto com a atividade da irmã no Parlamento Europeu, relacionada com avanços no que diz respeito a controlo e regulamentação de tecnologia.

O MADE Group chegou a candidatar-se a financiamento da UE, chegando a receber mais de 100 mil euros num projeto-piloto, advogado por Eva Kaili no Parlamento Europeu.

Em Bruxelas, a irmã Kaili mais nova é conhecida por ser a diretora-executiva da ELONtech, um “observatório” de tecnologias, como inteligência artificial, cujos eventos no Parlamento Europeu muitas vezes incluíam Eva Kaili como oradora.

Desde que eclodiu o escândalo Qatargate, que levou a que Eva Kaili fosse afastada de todos os cargos, e detida, a ELONtech tem feito esforços para afastar quaisquer possíveis ligações, até removendo todas as referências às irmãs Kaili do website oficial. A ONG também enviou avisos a alguns consultores a avisar que “foi obrigada a restringir as operações” devido a “condições imprevistas e turbulentas”, segundo um email de dezembro, citado pelo Politico.

Mas as atividades de lobbying da ELONtech permanecem públicas no portal LobbyFacts,eu, um site dedicado a preservar dados e informações do Registo de Transparência da UE, que acompanha todo o setor do lobbying nas instituições europeias. Esta situação levou Mantalena a pedir ao portal que removesse quaisquer informações relacionadas com as atividades da ELONTech do site.
“Peço a eliminação de todos os dados encontrados com o nome ELONTECH- O Observatório de Lei Europeia em Novas Tecnologias, do qual sou co-fundadora”, pede Mantalena num email e enviado. “Essas informações foram falsamente introduzidas na plataforma, porque não é uma entidade legal, nem serve como uma organização de lobyying”, argumenta a irmã de Eva Kaili.

Vivky Cann, uma das responsáveis pelo portal, explica que o mesmo é controlado pelo Observatório Europeu de Empresas e Associações e de controlo do Lobby, conta que Mantalena mandou vários emails a exigir a eliminação dos registos, e acrescenta que todas as informações “são declaradas por quem faz o registo da entidade”, ou seja, normalmente a própria organização.
Com efeito a ELONtech aparece em dados arquivados do Registo da Transparência da UE, que a identificam como ONG, registada em outubro de 2020, mas que deixou de constar no registo a partir de maio de 2022.

O secretariado da Transparência explica que foi removido automaticamente devido a “falha na transferência e atualização de dados em linha com os requerimentos de um novo acordo interinstitucional”.

A ELONtech, mostram os documentos, recebeu mais de meio milhão em financiamento europeu, particularmente em ações relacionadas com mercados de criptomoedas, algo que tem sido a área de ação de Eva Kaili, e projetos que contaram com a intervenção da ex-vice do Parlamento Europeu na sua aprovação.

Sem confirmar quem criou a página da ELONTech que ainda ‘sobrevive’ com as informações de lobbying da ONG, o certo é que informações como a morada e o número de telefone dos responsáveis estão corretos.

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