Putin “está muito doente, com cancro no sangue”, denuncia oligarca próximo do Kremlin

Vladimir Putin – está doente ou mesmo a morrer?

A imprensa tabloide, reforçada pela repentina eflorescência no Twitter, parece pensar que sim. Após a sua invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro, a deterioração do estado de saúde do presidente russo, de 69 anos, tem sido objeto de especulação frenética – embora o Kremlin, sobretudo o porta-voz Dmitry Peskov, tem colocado um ‘travão’, citando a “excelente” saúde de Putin.

Boris Karpichkov, um desertor da KGB na Grã-Bretanha (e ex-funcionário do Segundo Diretório Principal, especializado em contra-inteligência), considerou que o antigo colega espião sofre de doença de Parkinson, juntamente com “numerosas” outras doenças, incluindo demência. “Ele é, ou pelo menos age, de forma insana e obcecado por ideias paranoicas”, referiu ao tabloide britânico ‘The Sun’, comparando Putin com Estaline, que foi vítima de pelo menos um derrame.

O canal de Telegram – ‘General SVR’ -, de responsabilidade de um ex-oficial do Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia, afirmou recentemnte que Putin deve submeter-se a uma cirurgia para um tipo nao específico de cancro num futuro próximo e seria ‘rendido’ por Nikolai Patrushev, um dos ideólogos mais agressivos do regime e ex-KGB, enquanto estivesse em recuperação.

A evidência para a preponderância de afirmações díspares, se não contraditórias, da morte iminente de Putin é o próprio Putin. O andar desajeitado, o comportamento inquieto em eventos televisionados – incluindo a reunião de 22 de abril com o seu ministro da Defesa, Sergei Shoigu -, o seu notório autoisolamento devido à pandemia da Covid-19. O que acrescente é o coro de pessoas próximas de Putin que murmuram sobre uma possível doença de Putin mas poderá ser ‘estratégia’. Explicando: os desiludidos com a liderança totalitária de Putin preferem retratá-lo como incapacitado ou por pouco tempo neste mundo para lhe enfraquecer a mão na Rússia e nos campos de batalha da Ucrânia. Espalhar rumores sobre a sua saúde em declínio também pode antecipar algo mais catastrófico, como uma ordem para lançar uma armar nuclear, que é mesmo provável de ser executada por comandantes militares em nome de um déspota em estado terminal.

Também os Governos ocidentais estão igualmente inclinados a fazer-nos imaginar que Putin está num estado regressivo. A revista americana ‘New Lines Magazine’ obteve uma gravação áudio de um oligarca próximo ao Kremlin que descreveu Putin como “muito doente, com cancro no sangue”. Um capitalista de risco ocidental gravou a conversa em meados de março sem o conhecimento prévio ou consentimento do oligarca. “Ele arruinou absolutamente a economia da Rússia, a economia da Ucrânia e muitas outras economias – arruinou-as absolutamente”, garantiu o oligarca sobre Putin. “O problema é com a cabeça. Uma pessoa louca que pode virar o mundo de cabeça para baixo.”

A Rússia impôs uma sentença de 15 anos de prisão para os culpados de divulgar informações “falsas” sobre a guerra na Ucrânia. Os oligarcas, em particular, têm muito a perder já que a sua capacidade de ganhar e gastar centenas de milhões de euros está umbilicalmente ligada à sua fidelidade ao Kremlin. Ao todo, oito oligarcas, muitos envolvidos no lucrativo sector de energia da Rússia, apareceram mortos desde janeiro;

O oligarca, na gravação, destruiu o pretexto inicial do Kremlin de “tentar encontrar nazis e fascistas”, garantindo que “todos esperam” que Putin morra de cancro ou outra intervenção interna em Moscovo como um golpe para poupar a Rússia a mais infortúnios. Além disso, culpou pessoalmente Putin por matar “mais de 15 mil soldados russos e 4.000 ou 5.000 civis na Ucrânia. É inacreditável. Para quê? Ele matou mais pessoas do que em 10 anos na guerra [soviética] do Afeganistão.”

A 13 de março, um memorando ultrasecreto terá sido enviado da Lubyanka, a sede do FSB, para todos os diretores regionais. “O memorando instruiu os chefes regionais a não confiarem nos rumores sobre a condição terminal do presidente”, apontou Christo Grozev, chefe de investigações do site ‘Bellingcat’. “Os diretores foram instruídos ainda a dissipar quaisquer rumores nesse sentido que possam se espalhar dentro das unidades locais da FSB. De acordo com uma fonte de uma das unidades regionais que viu o memorando, essa instrução sem precedentes teve o efeito oposto, com a maioria dos oficiais do FSB de repente a acreditar que Putin realmente sofre de uma condição médica séria.”

“Não há como saber com certeza de fora, mas há duas consistências na avaliação do Kremlin”, disse John Sipher, ex-oficial da CIA especializado na Rússia. “O instinto deles é mentir e espalhar desinformação por um lado, e então essa conversa pode ser um esforço para desviar a atenção. Ou, igualmente provável, estamos a ver flashes de lutas internas entre a elite. Putin há muito atua como o chefe da máfia do Kremlin, o árbitro entre aqueles que lutam por influência ou dinheiro. Esses clãs agora estão a posicionar-se para sobreviver, não importa como essa crise termine. Denunciar a crise de saúde de Putin – ou inventar uma – seria uma forma de ganhar vantagem.”

Na semana passada, na celebração do Dia da Vitória da Rússia na Praça Vermelha para comemorar a derrota da Alemanha nazi pela União Soviética na II Guerra Mundial, Putin estava sentado com um cobertor estilo FDR no colo. O seu andar durante o desfile foi visivelmente desajeitada e o seu rosto estava ainda mais inchado do que o normal.

Ashley Grossman, professora de endocrinologia da Universidade de Oxford, apontou à ‘New Lines Magazine’: “Putin sempre foi um homem de aparência muito em forma, com uma aparência um pouco magra. Mas nos últimos dois anos, ele parece ter engrossado no rosto e no pescoço, que é compatível com o uso de esteroides.” Os esteroides, segundo a especialista, são normalmente prescritos para vários tipos de linfoma ou mieloma, cancro das células plasmáticas, que “podem causar doenças ósseas generalizadas e definitivamente afetar a coluna vertebral e as costas”. O linfoma é tipicamente um tipo mais agressivo de cancro no sangue, exigindo quimioterapia pesada que leva à perda de cabelo, algo que Putin nunca experimentou.

Os esteroides – um comum é a prednisona – atacam os linfócitos malignos que circulam no sangue mas também são conhecidos por dois efeitos colaterais comuns. O primeiro é um alto risco de infeção devido ao quanto eles esgotam as células do sistema imunológico. “Qualquer pessoa que tome doses pesadas de esteróides achará muito mais fácil contrair a Covid-19”, frisou Grossman, o que pode explicar a extrema germofobia de Putin. E o segundo efeito colateral? “Comportamento profundamente irracional ou paranoico.”

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