Pugs sofrem com problemas de saúde fruto da intervenção humana: criação desenfreada preocupa veterinários e cientistas

Os pugs vão deixar de ser considerados como um “cão típico” devido aos problemas de saúde que a raça enfrenta, segundo um estudo recente publicado na revista ‘BMC Canine Medicine and Genetics’ – os investigadores argumentaram que os riscos associados à criação de “cães de design” aumentaram as dificuldades respiratórias e cerebrais dos pugs a tal ponto que a raça agora divergiu de outros cães convencionais. Essa criação ‘desenfreada’ fez aumentar de forma massiva os riscos não só para os pugs mas para outros cães braquicefálicos, ou seja, os que têm o focinho achatado e curtinho.

Os Pugs – assim como os bulldogs, boxers e outras raças com narizes fortemente empurrados – são considerados cães braquicefálicos, o que significa que têm focinhos curtos e cabeças muitas vezes pequenas, uma característica que causa a obstrução das vias respiratórias e outros problemas de saúde. Nos últimos anos, os cães braquicefálicos tiveram uma explosão de popularidade, com diversas celebridades a posar com os seus pugs, assim como uma enorme presença nas redes sociais, a tomar parcialmente a culpa.

Apesar das suas deficiências óbvias, os pugs continuam a ser criados para ter narizes ainda mais curtos, apesar de diversos grupos de veterinários e cientistas já terem alertado para o estabelecimento de um padrão de criação mais saudável. Na última pesquisa, uma equipa do ‘Royal Veterinary College’, no Reino Unido, recolheu uma amostra de 4.300 pugs e quase 22 mil raças não-pug e comparou os seus riscos de desenvolver 40 distúrbios comuns.

Comparados aos não-pugs, os pugs tiveram uma hipótese 1,86 vezes maior de serem diagnosticados com um ou mais distúrbios. Dos 40 distúrbios testados, os pugs tiveram maior prevalência em 23 deles. Entre os mais comuns estavam a síndrome obstrutiva das vias aéreas (risco quase 54 vezes maior), narinas estenóticas (narinas apertadas que dificultam a respiração – 51 vezes maior) e ulceração da córnea (risco 13 vezes maior). No entanto, os pugs tiveram boas pontuações em 7 dos distúrbios, incluindo sopros cardíacos e agressão, sugerindo que a raça tem qualdiades redentoras em relação à saúde. Mesmo assim, os resultados sugerem um risco crescente de vários distúrbios em pugs, a maioria dos quais diretamente ligados ao encurtamento do focinho.

“O problema é que é um cachorro com um crânio menor mas mais nada do cachorro ficou igualmente menor”, observou Myfanwy Hill, cirurgião veterinário da Universidade de Cambridge, do Reino Unido, em declarações à ‘BBC’, frisando que os resultados do estudo não são uma surpresa.

De acordo com os investigadores, a variedade de preocupações com a saúde significa que os pugs “não podem mais ser considerados um cão típico”. “O estudo atual destacou que as predisposições superam as proteções entre pugs e não-pugs para distúrbios comuns, sugerindo alguns desafios críticos de bem-estar a serem superados para pugs”, escreveram os autores. “Os perfis de saúde altamente diferentes entre pugs e outros cães no Reino Unido sugerem que o pug divergiu substancialmente das raças de cães convencionais e não pode mais ser considerado um cão típico do ponto de vista da saúde.”

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