Protestos na China: Como uma simples folha de papel se tornou no símbolo contra as políticas ‘zero Covid’ no país

Os protestos na China, que já duram há vários dias e que já envolveram forte repressão policial e detenções, têm como objetivo pedir o fim das políticas ‘zero Covid’ – implementadas para garantir o isolamento imediato e acompanhamento de todos os casos de infeção, e desta forma mitigar ao máximo a transmissão do vírus. Nas manifestações, que envolvem largos milhares de cidadão e decorrem em várias cidades, reclama-se contra as políticas de Pequim com uma simples folha branca: objeto que se tornou símbolo do descontentamento dos chineses.

A folha branca que quase todos os manifestantes levantam nas manifestações, é uma referência à censura e repressão do governo comunista chinês, ao mesmo tempo que significa a unidade entre todos os participantes, já que o atual clima de revolta que ocorre na China constitui uma das maiores manifestações publicas de descontentamento das últimas décadas.

Ao contrário do que se possa pensar, os protestos não são raros na China. Mas as autoridades, que controlam com mão de ferro os meios de comunicação social e a Internet, fazem todo o possível para garantir que os protestantes de diferentes regiões não consigam estabelecer ligações e criar um movimento mais amplo de revolta, dizem analistas ao The Washington Post.

O que se vê atualmente, protestos em massa da população, contra o governo, com uma mensagem unificada que decorrem ao mesmo tempo em várias cidades distantes, “isso é que uma zona perigosa”, afirma Matt Schrades, analista sobre assuntos da China da Aliança pela Segurança da Democracia, dos Fundo German Marshall.

A ideia já tinha sido aplicada nos protestos feitos em Hong Kong em 2020, e tem várias camadas de simbolismos. “É a ideia de que nenhuma forma de protesto é aceitável pelo Estado, então a única coisa que podes fazer, a única coisa que podes mostrar sem ofender alguém que esteja no poder, é uma folha de papel branca. É um símbolo da ideia de que qualquer tipo de protesto, mesmo online, será censurado”.

Ao mesmo tempo, com a folha de papel, os manifestantes também querem representar a sua insatisfação de que “todos compreendem ao que se estão a referir, mas nenhum pode dizer o que os está a enfurecer”.

Ainda que muitos dos manifestantes, com as folhas brancas na mão, não gritem nas ruas, muitos são os chineses que, nos últimos dias, têm saído em várias cidades na China para gritar “Xi Jinping tem de sair”, “O Partido Comunista Chinês tem de sair do poder” e “Liberdade para a China”.

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