Proibição de encher piscinas, interdição de duches nas praias e restrições em casa. Seca em Espanha já obriga a medidas especiais e Portugal pode seguir exemplo

A ausência de chuva e as altas temperaturas levaram várias comunidades autónomas e municípios de toda a Espanha a restringir o consumo de água, especialmente na Galiza, Catalunha e Andaluzia, avança o ‘El Mundo’.

Medidas como cortes noturnos de abastecimento, encerramento de chuveiros nas praias, proibição de regar, encher piscinas e lavar carros são algumas das restrições impostas pelos governos regionais e municipais para garantir o abastecimento de água para consumo humano.

Em Sevilha, por exemplo, segundo o presidente da Associação das Comunidades de Rega de Andaluzia (FERAGUA), José Manuel Cepeda, a solução passa por medidas urgentes: “a curto prazo, cavar poços para procurar águas subterrâneas”.

“A médio prazo, jangadas”, explicou, apontando também a possibilidade de reservatórios de “longo prazo”, embora “um reservatório tenha um prazo de construção de 12 a 14 anos e uma jangada possa ser construída em seis meses”.

Em Málaga, o reservatório de La Viñuela está com 12,7% da sua capacidade. As autarquias cortaram a água dos chuveiros nas praias de Rincón de la Victoria e Vélez-Málaga desde 1 de agosto passado. Em Huelva, 10 municípios da região da Serra de Aracena e Picos de Aroche sofreram restrições de água à noite.

O Governo da Catalunha também limitou o consumo de água em 150 municípios a 200 litros por pessoa por dia. Os pântanos estão com 43% da sua capacidade nesta comunidade, 40 pontos abaixo dos últimos anos, embora longe dos 20% registados durante a seca de 2008.

Em Badajoz, nos nove municípios que compõem esta comunidade, há uma recomendação expressa para não usar água para regar jardins ou lavar ruas, nem para encher piscinas ou lavar carros. Especificamente, em Bodonal de la Sierra, as casas rurais têm restrições de água durante algumas horas.

Em Castela e Leão algumas instituições tomaram decisões relacionadas com a seca, cortando, por exemplo, a época dos jogos de água nas fontes históricas e nos Jardins do Palácio Real de San Ildefonso, no município de La Granja.

E, em alguns municípios, como Barruelo de Santullán em Palencia, foram tomadas medidas extras contra a seca, como a proibição de encher piscinas privadas, lavar carros e regar jardins devido à seca.

Em Navarra, há restrições hídricas em pequenas cidades, aquelas que são abastecidas com água de pequenas nascentes ou cabeceiras de rios, como Erro, onde a Câmara Municipal proibiu a irrigação de pomares e restringe a água à noite.

No País Basco foram implementadas algumas limitações em certas áreas onde os municípios têm que fornecer água de rios e aquíferos. Apenas a irrigação de jardins, o enchimento de piscinas privadas e a lavagem de carros, entre outras atividades não essenciais, estão proibidas por enquanto.

Portugal pode seguir exemplo

O ‘Jornal de Notícias’ (JN) avança esta quinta-feira que pelo menos 23 municípios portugueses têm recorrido a abastecimento de dezenas de localidades com camiões-cisterna e cinco admitem fazer cortes se a situação se mantiver.

As autarquias de Manteigas, Mangualde, São Pedro do Sul, Tabuaço e Vale de Cambra admitem ponderar reduções ou mesmo cortes parciais, à noite, se a situação de escassez de água não melhorar, segundo o jornal.

Outras apostam na sensibilização, com campanhas de poupança de água e medidas de contenção em curso, como a proibição do uso de água da rede pública para regar jardins, hortas, encher piscinas ou lavar pátios. Murça é um desses exemplos.

Há também várias localidades a serem abastecidas por autotanques, o que acontece a cerca de oito mil pessoas de 50 localidades em Trás-os-Montes e em seis na região do Alentejo.

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