Primeiro-ministro da Arménia recusa-se a assinar declaração conjunta com Rússia após cimeira

O primeiro-ministro arménio Nikol Pashinyan questionou a eficácia da Organização do Tratado de Segurança Coletiva (CSTO), que conta com seis nações (Armênia, Bielorrússia, Cazaquistão, Quirguistão, Rússia e Tajiquistão) e é liderada pela Rússia.

Pashinyan admitiu sentir-se frustrado e recusou-se a assinar a declaração final da cimeira CSTO devido à sua falta de apoio durante o conflito com o Azerbaijão, incluindo a guerra de 2020 pelo controlo do enclave arménio de Nagorno-Karabakh.

“É necessária uma avaliação política, principalmente de um ponto de vista moral, pois esta deve ser uma consequência lógica das relações aliadas”, frisou Pashinian ao considerar que a reação política da aliança é essencial “do ponto de vista da restauração da integridade territorial” da Arménia.

Apesar de a Rússia assumir-se, há muito tempo, como o principal corretor de poder na região do Cáucaso que faz fronteira com a Turquia e o Irão – onde a Arménia e o Azerbaijão travaram duas grandes guerras desde o colapso da União Soviética em 1991 -, com a invasão da Ucrânia e os seus esforços concentrados nesta luta há já nove meses, corre o risco de perder influência em partes pertencentes à antiga União Soviética.

Os combates eclodiram em setembro entre a Arménia e o Azerbaijão, com ambos os lados a registar a morte de mais de 200 soldados. “É deprimente que a adesão da Arménia à CSTO não dissuada o Azerbaijão de ações agressivas”, lamentou Pashinyan na cimeira que decorreu na capital arménia, Yerevan, relata a Agência EFE.

“Até hoje, não conseguimos chegar a uma decisão sobre uma resposta da CSTO à agressão do Azerbaijão contra a Arménia. Estes acontecimentos prejudicam seriamente a imagem da CSTO tanto dentro como fora do nosso país, e considero isto como o principal fracasso da presidência da CSTO por parte da Arménia”.

Putin reconheceu alguns “problemas” enfrentados pela CSTO, que não especificou durante a cimeira e reconheceu que são necessários mais esforços para alcançar um acordo de paz entre o Azerbaijão e a Arménia o que, nas suas palavras, “só seria possível se pudessem implementar acordos sobre a definição das suas fronteiras, o desbloqueio das ligações de transporte e comunicações e a resolução de problemas humanitários”.

A Rússia enviou 1.960 tropas de manutenção da paz para a área ao abrigo de um acordo de cessar-fogo de 2020, mas não teve capacidade para ajudar na resolução de questões pendentes entre os dois países, incluindo o estatuto legal do Nagorno-Karabakh e dos arménios de etnia arménia que lá vivem.

O Azerbaijão conta apenas com o apoio da Turquia, dado que não é membro da CSTO.

Ler Mais



loading...

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.