Preço do cabaz de bens alimentares essenciais baixa mas há produtos que subiram mais de 10% numa semana. Saiba quais

Um cabaz de bens alimentares essenciais custa atualmente 210,82 euros, mais 27,20 euros (mais 14,81%) do que custava a 23 de fevereiro, véspera do início do conflito armado na Ucrânia. Nos últimos oito meses, os três produtos que mais viram o seu preço aumentar foram a pescada fresca, a laranja e o açúcar branco, com subidas acima dos 40 pontos percentuais. Ainda assim, no espaço de uma semana, o preço do cabaz baixou 3,57 euros: recorde-se que há sete dias situava-se nos 214,39 euros.

Segundo o organismo, “entre 23 de fevereiro e 26 de outubro, a carne já registou um aumento de 20,24%. Nos laticínios, a subida foi de 18,56%; nas frutas e legumes, de 18,30%; no peixe, de 16,02%; na mercearia chegou aos 11,88 por cento. Os congelados, por outro lado, são a única categoria a registar uma quebra de preço (menos 3,24%) face a fevereiro.”.

Entre os dias 23 de setembro e 26 de outubro, foram a pescada fresca (mais 49%), a laranja (mais 46%), o açúcar branco (mais 46%), a polpa de tomate (mais 37%), a couve-coração (mais 34%), os brócolos (mais 33%), o frango inteiro (mais 31%), o iogurte líquido de morango (mais 31%), o bife de peru (mais 30%) e o tomate (mais 30 por cento)..

Já entre os entre os dias 19 e 26 de outubro, os dez produtos com maiores subidas de preço foram os flocos de cereais (mais 10%), o salmão (mais 10%), a laranja (mais 9%), o iogurte líquido de morango (mais 8%), o queijo curado fatiado (mais 7%), o tomate (mais 7%), a maçã gala (mais 7%), a cenoura (mais 6%), o queijo flamengo fatiado (mais 6%) e o grão cozido (mais 5 por cento)..

A associação de defesa do consumidor tem monitorizado todas as semanas os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

A associação explica que este aumento se deve ao facto de Portugal estar “altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno”, que “representam atualmente apenas 3,5% da produção agrícola nacional: sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16%).

“E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome”, acrescenta a Deco.

O organismo esclarece que “a invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um setor há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks”.

“A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor”, sublinha.

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