Polónia ameaça virar “todos os canhões” contra a União Europeia na disputa pelo Estado de Direito

O Governo nacional-conservador da Polónia endureceu significativamente, esta terça-feira, a sua retórica contra o impasse com Bruxelas, ameaçando voltar “todos os nossos canhões” contra a Comissão Europeia e, se necessário, construir uma coligação para destituir a sua presidente.

Se o executivo da UE “tentar empurrar-nos contra a parede, não teremos escolha a não ser sacar todas as armas do nosso arsenal” e responder “olho por olho”, garantiu Krzysztof Sobolewski, secretário-geral do Partido ‘Lei e Justiça’, à rádio estatal polaca. O responsável garantiu que se a Comissão não libertasse 35 mil milhões de euros em fundos de ajuda à pandemia da Covid-19, Varsóvia entraria com uma ação legal contra Bruxelas, vetaria iniciativas da União Europeia e montaria uma aliança política para demitir Ursula von der Leyen e o seu colégio de comissários.

Já antes Jaroslaw Kaczynski, que renunciou ao cargo de vice-primeiro-ministro em junho último, mas continua na presidência do ‘Lei e Justiça’, tinha afirmado que Varsóvia “não tinha motivos para cumprir as suas obrigações” com o bloco europeu. “Mostrámos o máximo de boa vontade, mas as [nossas] concessões não renderam nada”, disse Kaczynski, insistindo que a Polónia respeitou o seu lado de um acordo para reverter algumas de suas controversas reformas judiciais em troca de fundos da UE. “Da nossa parte foi mantido, da parte deles foi quebrado”, acusou. “É hora de tirar conclusões. Tínhamos de tentar mesmo que apenas para esclarecer a questão. E hoje está claro – todos podem ver do que se trata o jogo.”

Varsóvia está envolvida há meses numa disputa cada vez mais acesa com a Comissão Europeia sobre a libertação dos fundos de recuperação, com Bruxelas a exigir que a Polónia cumpra uma série de reformas no Estado de Direito.




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