Podem as novas vacinas ser melhores no combate às diferentes variantes do coronavírus? 5 perguntas e respostas

As três primeiras vacinas contra o coronavírus ganharam autorização de uso de emergência, nos Estados Unidos, há mais de um ano. Até ao momento, nenhuma outra vacina foi colocada em uso – mas isso vai mudar em breve. Mais de 40 vacinas estão a passar por testes clínicos nos Estados Unidos, que empregam várias abordagens diferentes para proteger as pessoas da Covid-19. Os investigadores Vaibhav Upadhyay e Krishna Mallela têm estudado a proteína spike do coronavírus desde o início da pandemia e estão a desenvolver terapias para travar a pandemia – e responderam às questões sobre o que o futuro reserva.

1. Por que motivo as empresas ainda estão a trabalhar em novas vacinas?

Uma das principais razões pelas quais as novas vacinas são importantes é o aparecimento contínuo de novas variantes. A maioria das diferenças entre as variantes são as alterações na proteína spike, que está na superfície do vírus e o ajuda a entrar e infetar as células. Algumas dessas pequenas mudanças na proteína spike permitiram que o coronavírus infete as células humanas com mais eficiência – essas mudanças também fazem com que as vacinas ou infeções anteriores com a Covid-19 fornecem menos proteção contra as novas variantes. As vacinas mais recentes, atualizadas, podem ser melhores na deteção dessas diferentes proteínas spike e mais eficazes na proteção contra novas variantes.

2. Que tipos de vacinas estão em andamento?

Até agora, 38 vacinas foram aprovadas em todo o mundo – nos EUA, foram aprovadas três. Existem atualmente 195 vacinas candidatas em diferentes estágios de desenvolvimento em todo o mundo, das quais 41 estão em ensaios clínicos nos EUA. As vacinas contra a SARS-CoV-2 podem ser divididas em quatro classes: vírus inteiro, vetor viral, baseado em proteínas e vacina de ácido nucleico.

As vacinas de vírus inteiro geram imunidade através de um vírus SARS-CoV-2 completo, embora enfraquecido – chamado inativado ou atenuado. Atualmente, existem duas dessas vacinas em ensaios clínicos nos EUA. As vacinas de vetores virais são uma variação dessa abordagem – em vez de usar todo o coronavírus, usam uma versão modificada de um adenovírus inofensivo que carrega parte da proteína spike do coronavírus. A vacina Johnson & Johnson é uma vacina de vetor viral e há mais 15 candidatos nesta categoria em ensaios clínicos nos EUA.

As vacinas baseadas em proteínas usam apenas a proteína spike ou parte da proteína spike para gerar imunidade. Como a proteína spike é uma das partes funcionalmente mais importantes do coronavírus, uma resposta imune que visa apenas essa parte é suficiente para prevenir ou superar uma infeção. Atualmente, os EUA têm cinco vacinas à base de proteínas em testes clínicos.

As vacinas à base de ácido nucleico são atualmente as mais usadas nos EUA. São feitas de material genético, como ADN ou RNA, que codifica a proteína spike do coronavírus. Quando uma pessoa a recebe, o seu corpo lê o material genético e produz a proteína spike, o que gera uma resposta imune. Existem 17 vacinas de RNA e duas de ADN em testes clínicos nos EUA.

3. As novas vacinas serão melhores do que as existentes?

As vacinas Moderna, Pfizer e J&J são baseadas na variante original do coronavírus e são menos potentes diante de novas estirpes. As vacinas baseadas em novas variantes forneceriam melhor proteção do que as vacinas existentes e algumas estão em desenvolvimento. As vacinas à base de ácido nucleico são as mais fáceis de atualizar e compõem a maioria das vacinas direcionadas às variantes. A Moderna já produziu uma vacina que contém mRNA das variantes Beta e Ómicron e dados clínicos publicados recentemente provam que é mais eficaz contra variantes mais recentes do que a vacina original da Moderna.

Embora a atualização das vacinas de ácido nucleico seja importante, algumas pesquisas sugerem que vacinas de vetor viral ou vírus inteiro podem ser mais eficazes contra novas variantes – sem a necessidade de atualização.

4. Quais são as vantagens das vacinas de vírus inteiros?

As vacinas à base de ácido nucleico e à base de proteínas usam apenas a proteína spike para produzir uma resposta imune. Com uma vacina de vírus inteiro, o sistema imunológico não apenas reconhece a proteína spike mas também todas as outras partes do coronavírus, o que permite gerar rapidamente uma resposta imune que envolve diversos ramos diferentes do sistema imunológico e que duram mais tempo.

Outro benefício das vacinas de vírus inteiros e vetores virais é a facilidade de armazenamento e envio. As vacinas de vetores virais podem ser armazenadas num ambiente refrigerado comum durante meses, às vezes anos. Em comparação, as vacinas de mRNA Moderna e Pfizer devem ser armazenadas e enviadas em temperaturas ultrabaixas. Esses requisitos de infraestrutura tornam as vacinas de vírus completos muito mais viáveis ​​para o seu uso em locais remotos em todo o mundo.

5. Quais são as desvantagens das vacinas de vírus inteiros?

Existem algumas desvantagens nas vacinas de vírus inteiros. Para produzir vacinas de vírus inativados, primeiro deve ser produzida uma enorme quantidade de coronavírus e depois inativá-lo. Existe um risco biológico pequeno, mas legítimo, associado à produção de muitos coronavírus vivos. Uma segunda desvantagem é que as vacinas de vírus inativados e vetores virais podem não produzir proteção forte em pacientes imunocomprometidos.

Finalmente, a produção de vacinas de vírus inteiros requer muito mais trabalho quando comparada com a produção de vacinas mRNA – é preciso fazer crescer, purificar e inativar o vírus enquanto se verifica cuidadosamente a qualidade de cada etapa. Esse longo processo de produção dificulta a obtenção de grandes quantidades da vacina. Pelas mesmas razões, redesenhar ou atualizar vacinas de vírus inteiros para futuras variantes é mais difícil do que simplesmente alterar o código da vacina à base de ácido nucleico ou à base de proteína.

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