País está em “nível de alerta”. Não é “prudente” aliviar medidas até haver uma “descida significativa” dos casos, defende especialista

No dia em que o Conselho de Ministros se reúne para decidir se antecipa ou não a segunda fase do desconfinamento, aliviando algumas regras devido ao avanço da vacinação, Henrique Oliveira, investigador do Instituto Superior Técnico, considera imprudente um alívio de medidas imediato.

O responsável, que faz parte da equipa do Técnico, que desenvolveu o novo indicador epidemiológico em conjunto com a Ordem dos Médicos, refere à ‘Multinews que o mesmo “tem-se mantido há quase um mês à volta dos 80 pontos, o que significa que estamos num nível de alerta”.

O indicador, recorde-se, mede em conjunto fatores como cuidados intensivos, mortalidade e hospitalizações, para além do Rt e incidência, dando uma visão global da pandemia em Portugal.

“Só quando começar a descer significativamente dos 80 é que no nosso entender é prudente (aliviar medidas), por uma razão muito simples, que é o facto de vir aí o outono e ao mesmo tempo que há vacinação a decorrer, também há perda de imunidade”, explica.

Ainda assim, Henrique Oliveira não consegue dizer quando essa descida poderá acontecer. “Era possível prever se conseguíssemos vacinar as pessoas todas, com mais de 12 anos muito rapidamente, mas isso é quase impossível”, afirma sublinhando que “isto é um ciclo e se não reduzirmos muito a incidência, no outono vamos ter mais problemas”.

“A minha previsão para agosto até era de grande descida mas isso não aconteceu por uma razão: desconfinou-se de tal maneira, tão depressa, que nós não conseguimos baixar a incidência”, adiantou.

O responsável disse esperar que por esta altura, o indicador estivesse à volta dos 60. Mas não. Está a aproximar-se dos 100 que é “o nível crítico, em que o sistema começa a saturar. Quando chegar aos 180 é catástrofe”, explica sublinhando que “o objetivo é nunca passar dos 100”.

“Devíamos ter atrasado (o avanço de) algumas coisas, na minha opinião. A incidência ia reduzir e traria benefícios na economia”, concluiu o especialista.

De recordar que o Governo marcou uma reunião extraordinária em Conselho de Ministros para esta sexta-feira, de forma a decidir sobre uma eventual antecipação da próxima fase de desconfinamento.

A reunião acontece depois de a ministra da saúde, Marta Temido, ter dado a entender, na quinta-feira, que o Governo poderia antecipar-se ao Conselho de Ministros agendado para dia 26 de agosto, caso a evolução pandémica assim o exigisse.

Para além disso, também no mesmo dia a governante anunciou que Portugal tinha atingido os 70% de população totalmente vacinada contra a Covid-19, a percentagem determinada pelo Governo para que se possa avançar para a segunda etapa de reabertura.

Portugal está agora na primeira fase do Plano de Desconfinamento. De acordo com o plano inicial apresentado pelo Governo, as restantes fases entrarão em vigor quando 70% da população ou 85% da população, respetivamente, estiver totalmente vacinada.

Na próxima fase, espera-se que sejam aliviadas algumas medidas, nomeadamente o fim da máscara obrigatória na via pública ou o fim dos limites de lotação nos transportes públicos.

Contudo, é possível que a primeira medida não seja aliviada já, uma vez que é necessária aprovação da Assembleia da República, podendo a regra manter-se, pelo menos até 12 de setembro, altura em que termina a legislação.

 

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