Orban acusa UE de bloquear fundos à Hungria por “razões políticas”

O primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, acusou hoje Bruxelas de congelar fundos de apoio destinados à Hungria por “razões políticas”, e reafirmou que vai continuar a opor-se ao plano da União Europeia (UE) de ajuda à Ucrânia.

Na quarta-feira, a Comissão Europeia tinha recomendado o congelamento de mais de 13 mil milhões de euros de fundos europeus destinados à Hungria, em resposta aos problemas de corrupção identificados neste país.

O executivo europeu optou por se manter firme contra o líder nacionalista, quando Budapeste insiste em bloquear o plano ajuda de 18 mil milhões de euros à Ucrânia, para resistir à invasão russa iniciada em fevereiro.

Sob pressão do Parlamento Europeu, a Comissão propôs aos estados-membros – que têm até 19 de dezembro para tomar uma decisão – suspender 7,5 mil milhões de euros de fundos de coesão que deveriam ser pagos à Hungria no âmbito do orçamento de 2021-2027.

A Comissão Europeia também decidiu validar o plano de recuperação pós-Covid da Hungria (5,8 mil milhões de euros), mas com 27 condições, que incluem as 17 medidas anticorrupção, bem como reformas para melhorar a independência do poder judicial.

Hoje, durante uma entrevista radiofónica, Viktor Orban acusou “os burocratas de Bruxelas” de adiarem a implementação de um plano de apoio à Hungria por “razões políticas óbvias”.

“Em algumas questões fundamentais, há diferenças de opinião entre a UE e a Hungria… e é por isso que (Bruxelas) não gosta do Governo húngaro”, explicou Viktor Orban, que evocou a aversão da Comissão à forma como Budapeste se opõe à abertura das fronteiras a migrantes.

“Mesmo que os burocratas de Bruxelas sejam injustos com a Hungria, ao aplicarem novas condições, devemos esforçar-nos para chegar a um acordo” com a UE, acrescentou o líder nacionalista.

Sobre a oposição ao novo pacote de ajuda a Kiev, no valor de 18 mil milhões de euros, Orban reconheceu que a Ucrânia precisa desse apoio para manter em funcionamento os serviços essenciais, mas mostrou-se em desacordo com a metodologia.

“A questão é como devemos ajudar a Ucrânia. A proposta da UE diz que devemos usar os orçamentos de Estados dos países membros para contrair novos empréstimos, em conjunto, e usar esse dinheiro para dar à Ucrânia. Não somos a favor disso, porque não queremos que a União se torne uma comunidade de estados endividados, em vez de uma comunidade de países cooperantes”, explicou o líder húngaro, na entrevista radiofónica.

Orban propôs, em alternativa, que cada um dos 27 estados membros da UE usasse o seu próprio orçamento para fornecer assistência à Ucrânia, através de acordos bilaterais.

“Não aceitaremos outro plano”, prometeu Orban.

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