OMS pede “ação imediata” após mortes de crianças relacionadas com xarope para a tosse

A Organização Mundial de Saúde (OMS) apelou a uma “ação imediata” para proteger as crianças de medicamentos contaminados após uma série de mortes, no ano passado, associadas a xaropes para a tosse.

Em 2022, mais de 300 crianças, principalmente com menos de 5 anos, morreram de lesão renal aguda em mortes associadas a medicamentos contaminados, na Gâmbia, Indonésia e Uzbequistão, divulgou a OMS num comunicado publicado esta segunda-feira.

Os xaropes para a tosse, adquiridos sem receita médica, continham níveis elevados de dietilenoglicol e etilenoglicol, o que pode ter sido uma das causas das mortes. “Estes contaminantes são produtos químicos tóxicos utilizados como solventes industriais e agentes anticongelantes que podem ser fatais mesmo em pequenas quantidades e nunca devem ser encontrados em medicamentos”, explicou a organização.

Para além dos países referidos também as Filipinas, Timor Leste, Senegal e Camboja podem ser afetados dado que podem ter os medicamentos à venda, revelou a OMS à Reuters esta segunda-feira incitando a tomada de medidas nos seus 194 estados membros para evitar mais mortes.

“Uma vez que estes não são incidentes isolados, a OMS apela a vários intervenientes chave envolvidos na cadeia de fornecimento médico para que tomem medidas imediatas e coordenadas”, salientou a organização ao partilhar já ter dado instruções específicas para que os medicamentos sejam retirados do mercado, nomeadamente os xaropes para a tosse feitos pela Maiden Pharmaceuticals da Índia e pela Marion Biotech, que estão ligados a mortes na Gâmbia e no Uzbequistão, respetivamente.

Embora o ano passado tivesse sido emitido um aviso referente a xaropes para a tosse fabricados pelos quatro fabricantes indonésios PT Yarindo Farmatama, PT Universal Pharmaceutical, PT Konimex e PT AFI Pharma, os medicamentos foram vendidos a nível interno. Contudo, as empresas envolvidas ou negaram que os produtos estavam contaminados ou recusaram-se a comentar os incidentes.

Perante os dados do ano passado, a OMS voltou a solicitar que os medicamentos sejam retirados de circulação e pediu aos países para assegurar que foram aprovados pelas autoridades competentes antes de os comercializar. Foi ainda pedido aos governos e reguladores que inspecionem os fabricantes, aumentem a vigilância do mercado e tomem medidas sempre que necessário.

Aos fabricantes, a organização aconselhou a que apenas comprem matérias-primas a fornecedores qualificados, testem os seus produtos minuciosamente e mantenham os registos do processo, devendo sempre verificar sinais de falsificação e apenas distribuir ou vender medicamentos autorizados para uso.

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