Ómicron: Primeira imagem da nova variante da Covid-19 mostra mais mutações do que a Delta

Os investigadores revelaram a primeira imagem da Ómicron, a nova variante do coronavírus detetada pela primeira vez na África do Sul e Botswan , que mostra que tem mais mutações do que a variante Delta atualmente predominante.

A imagem 3D da Ómicron, produzida e publicada pelo hospital Bambino Gesu em Roma e citada pelo ‘Independent’, revela que a variante tem muitas mutações concentradas na proteína spike (S) – a parte do novo coronavírus que permite a sua entrada nas células humanas.

“Podemos ver claramente que a variante Ómicron apresenta muito mais mutações do que a Delta, concentrada sobretudo numa área da proteína que interage com as células humanas”, disseram os investigadores em comunicado.

Ainda assim, os especialistas ressalvam que “isto não significa automaticamente que essas mutações são mais perigosas, só que o vírus se adaptou ainda mais à espécie humana ao gerar outra variante”.

Os cientistas descobriram cerca de 50 mutações na Ómicron, 30 das quais estão na proteína S e metade no domínio de ligação ao recetor – a parte que se liga ao recetor ACE2 nas células humanas através da qual o vírus entra nos tecidos.

Os pontos vermelhos na imagem, segundo os investigadores, indicam áreas com “variabilidade muito alta”, enquanto os laranja são aqueles com “alta variabilidade” e os amarelos com “variabilidade média”. Os pontos verdes são partes da proteína S que mostram baixa diferença entre as duas variantes, enquanto a área cinza mostra porções que não variam.

“O número de casos triplicou em 3 dias na África do Sul para 2.828, mas isso talvez se deva em parte à monitorização intensiva, embora seja possível que a taxa de transmissão seja o dobro do delta (R = 2) e o tempo de duplicação seja cerca de 4,8 dias”, disse Peter Openshaw, professor de medicina experimental do Imperial College London.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) alertou hoje que o risco global representado pela nova variante é “muito alto”. “Tendo em conta as altas mutações da Ómicron, com potencial para ser mais resistente à imunização e mais contagiosa, o risco da variante ser transmitida mundialmente é “alto”, refere o documento da OMS.

“Pode haver novas ondas de covid-19 com consequências graves, dependendo de muitos fatores, como os locais onde essas ondas ocorrem”, acrescenta.

Perante estes riscos, a OMS pede aos estados-membros que tomem algumas medidas prioritárias, incluindo “acelerar a vacinação contra a covid-19 o mais rápido possível, especialmente entre a população de risco que permanece não vacinada”.

Solicita também a todos os países que aumentem as medidas de vigilância, notifiquem possíveis casos ou surtos associados à variante e que os laboratórios aumentem o trabalho de sequenciação necessário para analisar a estrutura do coronavírus.

A Ómicron já apareceu em vários países, deixando governos em todo o mundo numa luta para interromper a transmissão, nomeadamente em Portugal, tendo já sido identificados 13 casos. Veja aqui todos os países que já reportaram infeções com esta variante.

Ler Mais


Comentários
Loading...