Ómicron: OMS alerta países que tomar medidas “sem base em evidências” vai “agravar desigualdades”

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou a sua preocupação esta terça-feira com o facto de alguns países estarem a implementar medidas contra a nova variante da Covid-19, Ómicron, que podem não ser necessárias e “agravar as desigualdades”.

“Eu entendo bem a preocupação de todos os países em proteger os seus cidadãos contra uma variante que ainda não entendemos totalmente”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, citado pela ‘Reuters’.

Contudo, ressalvou o responsável, “estou igualmente preocupado com o facto de vários Estados-Membros estarem a impor medidas contundentes e abrangentes sem base em evidências ou eficazes por si mesmas e que só vão piorar as desigualdades.”

Reportada pela primeira vez na África do Sul há uma semana, a variante fez disparar os alarmes globais, levou à proibição de viagens e destacou a disparidade entre os esforços massivos de vacinação nas nações ricas e o processo escasso no mundo em desenvolvimento.

O diretor da OMS apelou aos 194 Estados membros para que aderissem a medidas “racionais e proporcionais”, sublinhando que neste momento, ainda existem mais perguntas do que respostas sobre a gravidade da Ómicron e a eficácia das vacinas.

Neste momento já há muitos países a restringir voos de e para as regiões mais afetadas da África Austral, ou a impor testes e quarentena a quem venha desses locais.

No entanto, nenhuma morte relacionada com esta nova variante foi reportada até ao momento, embora a OMS tenha afirmado que esta representa um alto risco de surtos de infeção.

Só na Europa, o número de casos confirmados desta variante, considerada de preocupação, subiu hoje para 44, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), assinalando que todos têm historial de viagem.

Numa atualização epidemiológica publicada ao início da tarde, que tem por base dados facultados ao ECDC pelos Estados-membros da UE/EEE até às 12:00 (hora de Bruxelas, menos uma em Portugal), esta agência europeia informa que “44 casos confirmados de Ómicron foram comunicados por 11 países da União Europeia e do Espaço Económico Europeu [UE/EEE]”.

Os países em causa são, além de Portugal, Áustria, Bélgica, República Checa, Dinamarca, França (Reunião), Alemanha, Itália, Países Baixos, Espanha e Suécia, precisa o ECDC, que cita “informações de fontes públicas”, como autoridades de saúde.

A contabilização de hoje revela mais 11 pessoas infetadas com esta mutação do vírus, sendo que, à semelhança de segunda-feira, “a maioria dos casos confirmados tem um historial de viagens para países africanos, tendo alguns efetuado voos de ligação para outros destinos entre África e a Europa”.

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