Número de reclusos acima dos 60 anos quase que triplica

O número de reclusos com mais de 60 anos nas cadeias portuguesas quase que triplicou nos últimos 12 anos, avança o jornal ‘Público’, sublinhando que no final de 2021, um total de 953 presos estavam acima dessa faixa etária, sendo que o mais velho já tinha 91 anos.

Segundo a mesma publicação, apesar do número de reclusos estar a diminuir, nos últimos anos a população tem vindo a envelhecer, aumentando o peso daqueles que têm mais de 60 anos.

Esse peso subiu de 3,2% em 2010, para 5,3% em 2015 e 7,8% em 2020, o que significa que numa década, esse grupo mais do que duplicou, passando de 327 em 2010 para 889 em 2020 e no fim do ano passado (953) já pouco faltava para triplicar.

A percentagem seria ainda mais elevada se a contabilização fosse feita a partir dos 50 anos, adianta o jornal, sublinhando que as condicionantes da prisão têm acelerado o envelhecimento.

Para atender a esta realidade, Pedro das Neves, diretor executivo da IPS – Innovative Prison Systems, uma empresa de pesquisa e consultoria especializada em serviços de justiça e prisionais, criou um plano a longo prazo, para perceber o que teria de construir ou adaptar nestes serviços.

Nesse plano, segundo o ‘Público’, previu a construção de unidades específicas para idosos perto de hospitais. “A tendência vai ser esta: mudar de uma perspetiva mais punitiva para aquilo que tem mais que ver com a prestação de cuidado a quem tem de cumprir pena e tem já alguma idade”, explica.

“Para além de estarem mais protegidos dos outros reclusos que podem tirar partido das suas vulnerabilidades, têm cuidados de saúde diferenciados”, refere, sublinhando que este modelo exige também menos segurança. “Não quer dizer que um recluso com 65 ou 70 não fuja ou não queira fugir, mas já não tenta subir um muro de sete metros”, afirma.

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