NATO e UE formam aliança contra ataques cibernéticos chineses e acusam país de orquestrar campanha global de cibercrime

Foi criada uma nova aliança formada pelos Estados Unidos, pela União Europeia (UE) e por outros países aliados da NATO, contra a ameaça global representada por ataques cibernéticos chineses, de acordo com a ‘CNBC’.

O grupo, que também inclui outros governos como Austrália, Nova Zelândia e Japão, vai partilhar informações sobre ameaças cibernéticas e colaborar nas defesas e segurança da rede, segundo um alto funcionário do governo de Biden, que falou sob condição de anonimato.

Na sua primeira ação conjunta, já esta segunda-feira, a aliança acusa formalmente o Ministério de Segurança do Estado da China (MSS) de ter orquestrado uma campanha global de ataques cibernéticos.

Esta campanha inclui um ataque cibernético massivo aos servidores de e-mail Microsoft Exchange, que aconteceu no início deste ano.

O ataque foi realizado por hackers criminosos que trabalham para o MSS e também praticam extorsão, criptojacking e ransomware cibernéticos, adiantou a mesma fonte à ‘CNBC’.

Também esta segunda-feira, o Federal Bureau of Investigation, a National Security Agency e a Cybersecurity and Infrastructure Security Agency divulgaram um novo comunicado, no qual enumeram 50 táticas, técnicas e procedimentos que os hackers estatais chineses empregam.

O descarado ataque ao servidor Microsoft Exchange tornou-se público em março e acredita-se que tenha atingido pelo menos 30 mil organizações americanas e centenas de milhares em todo o mundo.

A Microsoft rapidamente identificou o grupo por trás do ataque como uma rede de espionagem chinesa relativamente desconhecida, apelidada de Hafnium.

A demora em acusar formalmente a China deveu-se, em parte, à intenção de dar aos investigadores tempo para reunir as evidências necessárias, que provassem que os hackers do Hafnium estavam na folha de pagamento do Estado chinês, revelou o funcionário.

Para além disso, também foi importante para os Estados Unidos agirem em conjunto com seus aliados ao fazer a acusação pública, acrescentou.

Numa altura em que a guerra cibernética está na linha da frente de uma luta de poder global entre democracias e estados autocráticos, a nova aliança de segurança cibernética pode tornar-se num modelo para esforços futuros contra ameaças transnacionais.

Os anúncios conjuntos desta segunda-feira baseiam-se nos esforços do presidente norte-americano, Joe Biden, no início deste verão para angariar apoio entre os aliados da NATO e da UE para uma abordagem mais direta contra a China.

A aliança também surge na sequência de um número crescente de sanções económicas e diplomáticas que o governo Biden impôs a Pequim este ano, em resposta a supostos abusos aos direitos humanos em Hong Kong e na província de Xinjiang.

Na sexta-feira, os Estados Unidos sancionaram sete autoridades chinesas em resposta à repressão em curso às instituições democráticas de Hong Kong.

Os EUA também emitiram um comunicado a alertar as empresas americanas sobre potenciais violações de dados e privacidade por parte do governo chinês, caso continuem a fazer negócios em Hong Kong.

Em resposta, um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrageiros chinês acusou os Estados Unidos de “intromissão” nos seus “assuntos internos”.

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