Não se esqueça: amanhã é dia de greve em dose dupla. Metro de manhã e comboios à tarde

Esta sexta-feira, Lisboa promete transformar-se num ‘caos’, devido às greves parciais do Metropolitano de Lisboa e da CP. Algo que, aliás, já deve ter habituado os habitantes da capital, para quem 2022 está a tornar-se um ano em que é necessário prestar atenção às lutas laborais para evitar constrangimentos no seu dia a dia, sobretudo nos sectores de transportes, às sextas-feiras e às horas de ponta.

No caso do metro, a empresa prevê a paralisação do serviço de transporte das 5 às 9 horas, retomando a circulação a partir das 9h30. Já a CP alertou que entre as 15 e 24 horas vai decorrer uma greve parcial, não estando previstos serviços mínimos. No total, são já 8 as ações de protesto do Metropolitano em 2022 – com mais dois dias de circulação condicionada  por algumas horas devido a plenários dos trabalhadores -, ao passo que a CP avança para a sua quarta.

Vamos recordar o que 2022 já trouxe no sector dos transportes que vai culminar nesta ‘sexta-feira parada’:

O Metropolitano de Lisboa e a CP têm-se destacado neste particular mas há mais exemplos: tome-se o caso da Rodoviária de Lisboa, que levou a cabo uma greve de 24 horas a 1 de fevereiro e ao trabalho extraordinário durante esse mês para reivindicar melhorias salariais, naquela que foi a quinta paralisação, em cerca de quatro meses, convocada pelo Sindicato Independente dos Trabalhadores da Rodoviária de Lisboa (SITRL). Duas semanas depois, foi anunciada nova paralisação, desta feita para 4 de março, e também uma greve de 24 horas para o dia 1 de abril. A 2 de maio, decorreu a 12.ª paralisação que os motoristas da RL realizam desde julho do ano passado.

Nesta ‘romaria’ de protestos, o Metropolitano de Lisboa ‘entra’ em ação a 11 de março, com um protesto parcial entre as 5 e as 9 horas, uma sexta-feira, ficando desde logo o aviso que a ação iria repetir-se no dia 18. No mês seguinte, dois novos pré-avisos, desta feita respeitantes aos dias 14 e 22, dias em que os trabalhadores avançaram na sua ação de protesto entre as 5 e as 10h30. As reivindicações dos trabalhadores do Metropolitano de Lisboa não se ficam por aqui:

A 27 de abril, são marcados dois novos momentos de protesto na capital, para 29 desse mês e dia 4 de maio. E fica no ar a ameaça: a luta irá continuar e pode colocar em causa grandes eventos em Lisboa, como o Rock in Rio e os Santos Populares. O objetivo passa por contestar o não cumprimento do Acordo de Empresa por parte da Direção Operacional do Metro, com a greve a abranger os trabalhadores da Central e os maquinistas, o que motivou a falta de circulação de comboios – ficou agendada nova paralisação para os dias 18 e 27 de maio.

A CP, nesse particular, tem andado mais ‘sossegada’, embora não tenha ‘escapado’ à fúria reivindicativa que tomou de assalto 2022: a 16 de maio registou “perturbações significativas” na circulação devido à greve de 24 horas dos trabalhadores ferroviários, um protesto que terá tido uma adesão de 95%. Para os dias 23 e 27 de maio ficou agendado novas jornadas de luta sob a forma de greves parciais nas zonas urbanas de Lisboa e Porto, reivindicando melhorias salariais. Foi também convocada nova greve ao trabalho extraordinário e nos feriados, a partir de 3 de junho.

No sector dos transportes, para rematar a luta sindical em Lisboa, a Carris também enfrentou o protesto dos trabalhadores a 22 de março, entre as 10 e as 15 horas, no qual foram exigidos salários e direitos que valorizem e dignifiquem as profissões.

2022 tem tornado a palavra “greve” habitual

Em dezembro de 2022, período normalmente dedicado aos balanços do ano em vários campos, a palavra “greve” é capaz de estar em destaque – nos primeiros quatro meses deste ano, o Ministério do Trabalho recebeu 270 pré-avisos de greve, quase duas vezes mais do que no período homólogo de 2021; já na administração pública, os pré-avisos diminuíram 26%. Contas feitas, até abril houve um aumento de 85% do número de pré-avisos de greve pelos diversos sindicatos.

Na função pública, 2022 está a ser pior do que em 2021: a Direção-Geral da Administração e do Emprego Público recebeu 174 pré-avisos, mais do dobro dos recebidos em 2020. Já este ano, foram entregues 129 – a tomada de posse do Governo ter acontecido somente no final de março pode ajudar a explicar o recuo.

Mais de 90% dos pré-avisos de greve registados na função pública foram promovidos pela Fenprof e pela Associação Sindical de Professores Licenciados, que decretaram greve ao trabalho extraordinário. Segue-se a administração local, cujos sindicatos convocaram sete greves. Na saúde houve apenas registo de uma greve, e a que estava prevista para o sector da Justiça acabou por ser desconvocada.

Mas vamos a contas:

De volta a março, o sindicato dos trabalhadores da Portway entrega um pré-aviso de greve que arranca no dia 14 e que se estende até 30 de junho. Mais tarde, a 6 de abril, o Sindicato dos Trabalhadores dos Aeroportos Manutenção e Aviação lançou vários pré-avisos de greve, num total de 21 dias de paralisação até ao final de 2022. Um exemplo seguido pelas empresas de pronto-socorro automóvel, que mantêm a paralisação nacional por tempo indeterminado para protestar contra os apoios do Governo face à crise energética, que considera “positivos”, mas “insuficientes”.

A EMEL entrou na lista geral de greves em 2022 a 6 de maio, sexta-feira, para contestar a proposta inicial da administração da empresa de Lisboa de um aumento salarial de 15 euros, subindo depois para 20 euros, ainda assim um valor considerado “insuficiente” pelos trabalhadores. No dia anterior, tinham sido os enfermeiros do Centro Hospitalar Universitário do Algarve (CHUA) e da Administração Regional de Saúde (ARS) a avançar para a greve.

Também o Sindicato Nacional dos Registos (SNR) promoveu, a 16 de maio, uma greve dos trabalhadores do Instituto dos Registos e do Notariado (IRN), para pedir uma reestruturação do sistema remuneratório, entre outras reivindicações. Mais ‘insólito’ foi o Rally de Portugal, que arrancou mesmo com a greve dos técnicos de emergência pré-hospitalar, que estavam de prevenção ao evento.

A 20 de maio último, os sectores da Saúde e da Educação foram os mais afetados pela greve dos trabalhadores da administração pública, com escolas encerradas e hospitais em serviços mínimos. O INEM também sentiu fortes condicionalismos nesse dia, com dezenas de ambulâncias paradas.

Esta sexta-feira estão agendadas greves da CP e do Metro, o que poderá provocar um ‘caos’ generalizado na cidade de Lisboa. Mas não são as únicas e 2022 ainda promete bastante ‘animação’ no que a greves diz respeito.

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