Londres está amarela devido à falta de água: racionamento avança em várias regiões do Reino Unido

Os relvados de Kew Gardens, na Grã-Bretanha, que abriga a maior coleção de plantas vivas do mundo, estão amarelos. Por entre um dos verões mais quentes e secos já registados, os jardineiros da atração turística do sudoeste de Londres têm escolhido cuidadosamente como e quando irrigar as milhares de espécies de plantas e árvores que atraem mais de um milhão de visitantes por ano. Também em Hampstead Heath, um parque no norte da capital britânica, os funcionários cercaram várias árvores para protegê-las contra o risco de incêndio.

Em Londres – e na maior parte da Inglaterra – o calor sem precedentes levou a vida vegetal, a infraestrutura e os moradores ao limite. As folhas verdes estão a cair antes do outono. As altas temperaturas provocaram incêndios perto de Londres. Operadores ferroviários acionaram alertas sobre linhas férreas distorcidas. Os gasodutos reduziram a produção devido às altas temperaturas.

“A cor da relva é um bom barómetro do quanto tem chovido recentemente”, frisou Barnaby Dobson, investigador associado do projeto ‘Community Water Management for a Liveable London’ no Imperial College London. Há semanas que não chove forte em Londres, o que se tem tornado uma preocupação estranha para uma cidade e um país no qual o tempo chuvoso é um emblema.

Fora da capital, já há restrições de água. A Southern Water aplicará a primeira restrição de uso de água ao ar livre, ou de rega, no sudeste da Inglaterra esta sexta-feira em Hampshire e na Ilha de Wight. As multas por imcumprimento podem atingir cerca de 1.200 euros. A South East Water vai impor uma proibição semelhante aos clientes em Kent e Sussex a partir de 12 de agosto.

Em Londres poderá avançar as mesmas restrições. Essa decisão caberá à Thames Water Utilities, responsável pelo abastecimento de água de Londres. A empresa disse que está pronta para implementar restrições de uso de água se a sequência de seca excecionalmente longa continuar. “Sabemos que a água que armazenámos nos nossos reservatórios vai continuar a diminuir, portanto, se não recebermos chuvas próximas ou acima da média nos próximos meses, isso vai aumentar a pressão sobre os nossos recursos e poderá resultar na necessidade de mais medidas de economia de água, incluindo restrições”, disse um porta-voz da Thames Water.

Por enquanto, os grandes reservatórios da capital, que podem abastecer a cidade por centenas de dias, estão em “níveis muito confortáveis”, garantiu Dobson – estavam 91% cheios no final de junho, antes da onda de calor, abaixo da média para a época do ano, mas ainda longe de qualquer perspetiva de proibição.

“Infelizmente, os modelos e previsões climáticas indicam que um clima tão extremo pode tornar-se a norma nos próximos 50 anos”, lamentou Richard Barley, diretor de jardins do Royal Botanic Gardens, em Kew. Isso significa que os visitantes podem ter de se acostumar a ver relvados secos, que dependem apenas da água da chuva para sobreviver. “A nossa prioridade agora é proteger as plantas dentro das coleções vivas que são de alto valor de conservação ou de importância histórica”, garantiu. “Jardins botânicos em todo o mundo já estão a ter de adaptar as suas estratégias de gestão da paisagem a essas novas condições. Kew não é exceção.”

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