Juiz questiona defesa de Rendeiro. Alegada doença “nunca constituiu impedimento para o arguido efetuar 72 deslocações”

O Juízo Central Criminal de Lisboa, juiz 22, responsável por julgar o processo que condenou João Rendeiro, confirmou que o ex-banqueiro nunca alegou problemas cardíacos em Portugal, adiantando que isso nunca o impediu de fazer várias deslocações entre 2009 e 2021.

Segundo o ‘Público’, esta informação foi enviada ao Departamento de Cooperação Judiciária e Relações Internacionais da Procuradoria-Geral da República Portuguesa (PGR), em resposta a um pedido das autoridades sul-africanas.

A defesa de Rendeiro alegou que o arguido tinha problemas cardíacos, apresentando um relatório médico a atestar isso mesmo, para poder aguardar pela decisão da extradição em liberdade.

Contudo, o juiz refere, com base no relatório social relativo às condições pessoais e situação económica do arguido, que não há qualquer referência a questões de saúde que o limitassem de qualquer forma, contrariando assim a defesa que dizia que a doença tinha sido diagnosticada em 2012.

“A alegada fibrose da válvula aórtica e mitral indicadora de prévia febre reumática, a que faz referência a declaração médica de 4 de Fevereiro de 2022, nunca constituiu impedimento para o arguido efetuar, entre 2009 e 2021, diversas deslocações de Portugal para destinos situados nos continentes europeu, americano, asiático e africano”, afirmou.

Segundo o magistrado, Rendeiro comunicou, entre 8 de Outubro e 2009 e 29 de Setembro de 2021, em 72 ocasiões distintas, a sua deslocação, alegando sempre motivos de trabalho e nunca mencionando a sua saúde.

O juiz questionou ainda a especialidade do médico, demostrando estranheza face ao facto de o relatório ser assinado por um psiquiatra e não por um cardiologista.

“Apesar de, no referido relatório médico, datado de 7 de Fevereiro de 2022, ser feita menção de que o arguido João Rendeiro teve febre reumática aguda na infância, tendo ficado com cardiopatia reumática, bem como a grau de valvulopatia, a eventos cardíacos e a doença cardíaca, não pode o tribunal deixar de constatar que a especialidade do médico especialista que o subscreve, João Vasconcelos Vilas Boas, é a de psiquiatria, e não a de cardiologia”, refere.

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