Jornalista descreve em livro pirataria informática “muito sofisticada” da Coreia do Norte

A Coreia do Norte tem uma operação de pirataria informática “muito sofisticada” e diversificada, apesar do acesso limitado do país à Internet, afirma o jornalista britânico Geoff White, autor de um livro sobre o tema.

“Tem uma operação de ‘hack and leak’ incrivelmente eficiente e bem executada, tem uma operação de crime financeiro muito, muito sofisticada com um aspecto muito importante de lavagem de dinheiro e tem o ataque de ‘ransomware’ com o aspeto de lavagem de criptomoedas associado. Um gang estar por detrás de todas estas coisas diferentes é realmente incrível”, disse hoje.

White falava no centro de estudos Royal United Services Institute sobre o livro “The Lazarus Heist” [‘O Roubo do Lazarus’], que vai ser publicado no próximo mês, onde descreve como o regime norte-coreano usou a tecnologia para lançar uma série de ataques cibernéticos na última década.

O título é inspirado no grupo de piratas informáticos conhecido como ‘Lazarus’, suspeito de ter ligações ao regime norte-coreano e que estará por detrás de vários ciberataques, incluindo o ‘Wannacry’, software malicioso que afetou 300 mil computadores em mais de 150 países, incluindo Portugal.

O ataque perturbou o funcionamento de fábricas, bancos, hospitais, escolas, telecomunicações e transportes, cujos computadores os responsáveis prometiam desbloquear em troca de um resgate.

Em dezembro de 2017, os Estados Unidos acusaram oficialmente a Coreia do Norte de ser responsável pelo ataque informático, o que Pyongyang rejeitou.

O grupo ‘Lazarus’ também é considerado autor de ataques ao estúdio de cinema Sony Pictures, em 2014, e ao Banco do Bangladesh, em fevereiro de 2016, ao qual conseguiu roubar cerca de 81 milhões de dólares (cerca de 69 milhões de euros).

O montante só não foi maior, contou White, porque a Reserva Federal norte-americana, onde estavam os fundos, reagiu atempadamente e interrompeu as transferências que visavam roubar quase 1.000 milhões de dólares ao banco central do país asiático.

Desde então, o grupo terá feito mais ataques, incluindo em 2018 ao banco indiano Cosmos, ao qual terá roubado 11 milhões de dólares em duas horas e 13 minutos, em 29 países, através de levantamentos e máquinas multibanco.

“É absolutamente alucinante”, descreveu o jornalista, destacando o nível de organização e mobilização que envolveu, apesar de o valor ter sido menor do que outros ataques.

White diz que os piratas informáticos são identificados no sistema de educação norte-coreano pelos conhecimentos de matemática, abrindo o caminho a aulas de computador e, mais tarde, o acesso à Internet “sob vigilância muito, muito rigorosa”.

“Mostrar talento em matemática e em computadores é uma maneira de subir na sociedade norte-coreana que não seria possível de outra forma”, explicou.

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