Itália: Parlamento elege Presidente da República esta segunda-feira

O parlamento italiano reúne-se esta segunda-feira em sessão conjunta, com 320 senadores, 630 deputados e 58 delegados regionais, para eleger o substituto de Sergio Mattarella na chefia do Estado para os próximos sete anos.

A eleição do novo Presidente requer números elevados que nenhum bloco tem por si só – maioria de dois terços do hemiciclo ou maioria absoluta (metade mais um) a partir da quarta votação -, pelo que os partidos deverão aproximar posições ou negociar nomes de candidatos.

Berlusconi é o candidato escolhido pela ala direita composta pelo seu partido, Força Itália (FI), os partidos de extrema-direita Liga e Irmãos de Itália, de Matteo Salvini e Giorgia Meloni, respetivamente, e outras pequenas formações conservadores ou democratas-cristãs.

Mas o magnata também não confia muito nos seus aliados e pediu aos deputados de cada partido da sua coligação que, ao votarem, em segredo, escrevam de um determinado modo o seu nome no boletim, para ele saber quantos traidores há nas suas fileiras, segundo a imprensa.

Berlusconi está também a telefonar aos deputados e senadores do Grupo Misto a pedir-lhes que votem nele, com a ajuda do deputado e historiador Vittorio Sgarbi, como indicou o próprio.

No entanto, a proposta do nome do político e empresário tem dificultado qualquer aproximação de posições entre a direita e a esquerda, devido ao seu polémico historial, cheio de escândalos, excessos e condenações.

Para a principal força de centro-esquerda, o Partido Democrata (PD), a proposta do ex-Cavaliere como chefe de Estado é “inconcebível”, declarou na passada segunda-feira a sua porta-voz, Simona Malpezzi, que quer apostar num nome “respeitável e imparcial” eleito por “todos”.

O nome do ex-primeiro-ministro foi também rejeitado pelo maior grupo do atual parlamento o Movimento Cinco Estrelas (M5S), e o seu líder, Giuseppe Conte, pediu à direita que “não bloqueie” as negociações impondo um candidato como Berlusconi, “uma opção inaceitável e indefensável”.

No meio de ambos os blocos, situa-se o ex-primeiro-ministro Matteo Renzi, chefe da centrista Itália Viva, que assegurou, numa entrevista ao jornal Corriere della Sera, que fala “com todos” e que Berlusconi não tem os votos necessários.

Outra dúvida é se o parlamento proporá como chefe de Estado o atual primeiro-ministro, Mario Draghi, cujo mandato à frente do executivo termina em 2023 – o que, a acontecer, implicaria uma mudança no Governo em plena aplicação do Plano de Recuperação, ou resultaria mesmo em eleições legislativas antecipadas.

Especialmente importante é o número de parlamentares que, neste momento, estão infetados com covid-19 – pelo menos nove senadores -, já que, segundo a lei, não podem sair de casa para participar na votação, protegida, além disso, por um férreo protocolo contra a doença.

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