Irão diz ter apresado dois navios gregos no Golfo Pérsico

A Guarda Revolucionária do Irão confirmou hoje ter apresado dois petroleiros gregos no Golfo Pérsico, após o Irão ter ameaçado Atenas com uma “ação punitiva” pelo seu envolvimento no sequestro de um petroleiro iraniano a pedido dos Estados Unidos.

Numa reação quase imediata, o Ministério dos Negócios Estrangeiros grego denunciou estes atos, da responsabilidade do exército ideológico da República islâmica, que disse serem “comparáveis à pirataria”.

Em comunicado publicado na sua página na internet, os Guardas da Revolução indicaram que as suas forças “apresaram hoje dois petroleiros gregos no Golfo Pérsico, devido a violações que cometeram”.

Previamente, o Irão tinha de novo apelado ao “fim imediato” do apresamento de um navio que transportava petróleo iraniano e retido pela Grécia desde meados de abril, a pedido dos Estados Unidos.

“Estes atos são semelhantes à pirataria”, afirmou o ministério grego em comunicado, apelando aos cidadãos gregos que evitem viajar para o Irão.

Atenas assegurou que helicópteros da marinha iraniana transportaram homens armados para os dois petroleiros durante a manhã de hoje. Um deles, o Delta Poseidon, navegava em águas internacionais, precisou o ministério. O segundo, que não foi designado, encontrava-se perto das costas iranianas, segundo a mesma fonte.

O ministério indicou que nove gregos integravam as tripulações dos dois navios, mas recusou fornecer o número dos restantes marinheiros a bordo.

Atenas informou a União Europeia e a Organização Marítima Internacional do incidente, acrescentou o ministério.

Devido às sanções europeias relacionadas com a guerra na Ucrânia, as autoridades gregas intercetaram em 19 de abril ao largo da ilha de Eubeia o petroleiro russo Pegas, rebatizado Lana alguns dias mais tarde.

Segundo as informações então divulgadas, o tanque do navio transportava 115.000 toneladas de petróleo iraniano.

Na quarta-feira, um porta-voz da polícia portuária grega disse à agência noticiosa AFP que este petroleiro “seria transferido para os Estados Unidos (…) após um pedido da justiça americana”.

O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano convocou hoje o encarregado de negócios suíço, que representa os interesses norte-americanos devido à rutura das relações diplomáticas entre Washington e Teerão após a Revolução islâmica de 1979.

Teerão acusa Washington de “violação clara do direito marítimo e das convenções internacionais” e apelou ao “levantamento imediato do apresamento do navio e da sua carga”, de acordo com um comunicado publicado no ‘site do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

O Irão reiterou a sua oposição “à pressão e à intervenção do Governo americano” que implicou a captura do navio, que considera permanecer “sob a soberania da República islâmica”.

Mas, segundo os documentos em posse dos guardas costeiros gregos, o petroleiro ainda permanece sob pavilhão russo.

Uma fonte dos guardas costeiros indicou à agência noticiosa AFP que na quinta-feira foi iniciada a transferência de petróleo para um navio com o pavilhão da Libéria, um processo que iria “decorrer durante alguns dias”.

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