Ir à praia no Qatar é uma aventura: zonas balneares estão divididas para famílias, homens, mulheres e estrangeiros

As autoridades do Qatar e a Fifa calculam que mais de 1,5 milhões de pessoas visitem o país durante o Mundial de Futebol, que decorre até 18 de dezembro. O volume de adeptos esperados pôs logo à partida um problema no que diz respeito à acomodação, já que seria um desafio receber toda a multidão nos ‘apenas’ 300 hotéis em todo o país, mas soluções como barracões, caravanas, ou cruzeiros transformados em hotéis foram encontradas. No entanto, para quem está de visita ao Qatar, há outro problema: ir à praia não é tão fácil como se possa pensar.

As temperaturas na capital, Doha, são altas, acima dos 30 graus maior parte do dia. Os termómetros pouco variam entre quando o sol se levanta ou põe. O calor e a humidade que se sente no ar, convidam a um mergulho, por exemplo, logo junto ao passeio marítimo e La Corniche. O areal está a um pequeno passo de distância. Mas, ao primeiro passo, haverá algum dos milhares de funcionários contratados, na sua esmagadora maioria migrantes, da Índia, Filipinas, Nepal, Bangladesh ou Sri Lanka, a avisar: “Não pode ir para aí. É proibido ir ao banho”.

Se pedir indicações, como fez o El Mundo, sobre onde pode ir à praia tomar banho, deverão apontar-lhe para o meio dos prédios espelhados e arranha-céus futuristas. Terá de ir, por exemplo, às praias privadas, junto ao Hotel Sheraton.

Um ocidental entra no luxuoso hotel sem que lhe façam perguntas, no caminho que tem de se percorrer o hall de entrada para chegar ao areal privativo, onde “não há restrições”. À chegada, são pedidos 30 euros. Há canteiros de jasmim, espreguiçadeiras, jacuzzis, palhotas e cocktails. Tudo extra, claro, e não tem direito a toalha.

E onde se pode dar um mergulho ‘à borla’?

Para quem está de visita ao Qatar, e quer dar um mergulho em Doha sem ter de pagar nas praias privadas dos hotéis, onde um pequeno-almoço chega a ultrapassar os 80 euros as hipóteses são nulas.

Tem a praia de La Perla, perto de concessionários da Ferrari ou da Rolls Royce, mas ao chegar há alguém que avisa “só para residentes”. Só quem vive no Qatar pode ir às praias ditas ‘normais’.

Na praia de Katara, o cenário é o mesmo, mas ao chegar há alguém que grita: “Aqui é a praia só para famílias”. Depois outra: “Esta é só para mulheres [locais]”. Neste areal vislumbram-se alguns vultos com o véu islâmico espalhados pelo areal. Não são todas: a mulher qatari mão tem de andar obrigatoriamente totalmente tapada, mas a pressão social para usar o véu islâmico é muito grande. O normal é, na areia, com o corpo coberto, bem como o cabelo, mas o rosto de fora… e maquilhado. Algumas com o corpo mais destapado são jornalistas da Al Jazeera, que são libanesas ou de países do norte de África.

Mais à frente outra praia, “só para homens” desta vez. E claro, só para quem vive em Doha.

A solução é indicada por um inglês: a praia de Westbay. Esta ‘praia artificial’ foi criada de propósito para o Mundial. É de borla para dar um mergulho, a pensar nos adeptos , mas é pouco o espaço no areal para quem quer estender a toalha. Para além de ficar junto a um aglomerado de centros comerciais, o areal, com 40 mil metros quadrados, está quase completamente preenchido por espreguiçadeiras e palhotas, cujo aluguer ultrapassa os 30 euros que os turistas teriam de pagar nas praias dos hotéis.

Ler Mais



loading...
Notícias relacionadas