Interrogatório a Joe Berardo deve ser adiado. Justiça ainda está a compilar provas

O interrogatório do empresário madeirense, Joe Berardo, e do seu advogado, marcado para as 14h desta quarta-feira, deve ser adiado para mais tarde, uma vez que a justiça ainda se encontra a recolher provas, avança a ‘TVI24’.

Segundo o mesmo canal, “o despacho de indiciação ainda está a ser ultimado, ao mesmo tempo que são compiladas as provas recolhidas durante as mais de 50 buscas realizadas durante a operação da manhã desta terça-feira”, motivo qual, se espera um atraso.

Joe Berardo e André Luiz Gomes, recorde-se, passaram a noite no departamento da Polícia Judiciária (PJ), em Lisboa, onde aguardaram pela audição que devia acontecer esta quarta-feira.

Ambos foram detidos na manhã de ontem, na sequência de uma “megaoperação” da Polícia Judiciária (PJ) e do Ministério Público (MP), chefiada pelo juiz Carlos Alexandre, por suspeitas de crimes de burla qualificada, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

A investigação tem como objetivo perceber de que forma o empresário conseguiu obter, em 2006, empréstimos da CGD, que em 2015 ainda revelavam uma exposição do banco público à Fundação Berardo, na ordem dos 268 milhões de euros em créditos mal parados.

As autoridades estão também a investigar a forma como depois Berardo montou um esquema de dissipação de património e dinheiro, através de empresas-veículo, para conseguir escapar aos credores.

O Ministério Público acredita que os créditos do empresário na caixa foram conseguidos através de uma relação privilegiada com o Governo, na altura liderado por José Sócrates.

Para além disso, é ainda estabelecida uma ligação entre a concessão desses créditos e o facto de ter sido celebrado com o Governo um acordo, para que 862 obras de arte da fundação Berardo fossem expostas no Centro Cultural de Belém.

A operação envolveu 180 profissionais, espalhados pelas regiões de Lisboa, Sesimbra e Funchal, tendo sido realizadas 51 buscas: 22 buscas domiciliárias, 25 buscas não domiciliárias, três buscas em instituição bancária e uma busca em escritório de advogado.

“A investigação iniciada em 2016, identificou procedimentos internos em processos de concessão, reestruturação, acompanhamento e recuperação de crédito, contrários às boas práticas bancárias e que podem configurar a prática de crime”, revela a PJ em comunicado.

Importa ainda ressalvar que esta operação “incidiu sobretudo num grupo económico, que entre 2006 e 2009, contratou quatro operações de financiamentos com a CGD, no valor de cerca de 439 milhões de Euros”, lê-se na mesma nota.

Advogado desconhece factos da investigação

Paulo Saragoça da Matta, advogado de defesa de Joe Berardo neste processo, disse aos jornalistas “não saber o que está nesta investigação”, e criticou que haja “processos que duram há cinco e seis anos e só depois se lembram de fazer uma detenção”.

Questionado sobre a falta de celeridade processual e a sua eventual relação com a falta de meios de que se queixa o Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Saragoça da Matta replicou que “hoje há mais meios (de investigação) do que há 27 anos” quando se iniciou na advocacia.

O advogado disse ainda aos jornalistas que o empresário e arguido Joe Berardo permanece “calmo” e “bastante sereno”, tendo confirmado que o seu cliente foi detido ontem “em casa”, no decurso da operação policial que envolveu buscas e dois mandados de detenção.

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