Índice de Fome Global 2021 traça cenário preocupante: há 47 países que não serão capazes de reduzir a fome até 2030

A conclusão do Índice de Fome Global 2021 traça uma cenário bastante preocupante no combate à fome mundial: há 47 países, 28 dos quais na África Subsaariana, que não serão capazes de reduzir a fome o suficiente até 2030, ficando longe da meta de ‘fome zero’, delineada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Os números das Nações Unidas apontam que há 10 países cuja situação é alarmante: Somália, Iémen, República Centro-Africana, Chade, República Democrática do Congo, Madagáscar, Burundi, Comores, Sudão do Sul e Síria – em 8 existem conflitos armados.

Apesar da pandemia do Covid-19, a guerra continua a ser a principal causa da fome no Mundo e não há sinais que essa tendência possa mudar. Dos 116 países com dados disponíveis este ano, a Somália é o único em situação extremamente alarmante.

“Se olharmos as estatísticas, os conflitos costumam ocorrer nas áreas rurais onde são produzidos alimentos e os países mais afetados são aqueles onde a maioria trabalha na agricultura”, afirmou Caroline Delgado, uma das autoras do relatório e diretora do Programa de Alimentos e Segurança do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo. “Os grupos armados atacam os produtores, plantam minas, restringem o fornecimento de água ou sementes, confiscam as terras e os obrigam a produzir safras, muitas vezes ilegais, cujos lucros financiam a guerra por mais tempo”, enumerou.

Neste raio-X sobre a fome, a crise climática e a pandemia do Covid-19 também têm o seu papel. Nesse sentido, o Índice Global de Fome de 2021 indicou que ambas as forças tóxicas e os conflitos “ameaçam eliminar qualquer progresso feito contra a fome nos últimos anos”. “É difícil ser otimista”, alertam os autores do índice. Embora as pontuações mostrem que a fome global está em declínio desde 2000, o progresso está diminuindo.



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