Hospital de Braga registou 102 casos de violência sobre profissionais em 2021

Falando no lançamento da campanha “Braga respeita quem cuida”, João Porfírio Oliveira sublinhou que aquele número supera as notificações registadas no período pré-pandemia de covid-19.
“A violência no setor da saúde tem um elevado impacto e provoca importantes repercussões nas instituições hospitalares, afetando o desempenho dos profissionais e a qualidade da prestação de cuidados, pelo que a sua diminuição se revela um desafio não só em Portugal, como em todo o mundo”, defendeu.

Nesse sentido, o Hospital de Braga tem vindo a implementar diversas medidas que visam prevenir a violência, física e psicológica, no local de trabalho e apoiar as vítimas, como a criação do código de boa conduta “Prevenção e Combate ao Assédio no Trabalho”, a otimização da plataforma de registo de eventos adversos e a promoção da notificação por parte dos profissionais de saúde.

Segundo João Porfírio Oliveira, os balcões de atendimento dos internamentos e as consultas externas são dos locais mais sensíveis, pelo que foram dotados de botões de pânico.

O hospital promoveu ainda a reformulação dos gabinetes de consulta, para assegurar que existe sempre “um ponto de fuga” para o profissional, bem como a colocação de acrílicos nos balcões de atendimento das consultas externas.

Foi também implementado um sistema de botão de pânico portátil nos Serviços de Psiquiatria e de Urgência de Obstetrícia, um projeto-piloto que se pretende alargar para outros serviços do hospital.
O hospital também criou o Gabinete de Apoio ao Profissional.

“Não obstante, sentimos que é necessária uma ampla consciencialização da comunidade para os impactos da violência no setor da saúde, a sensibilização da sociedade para prevenção deste fenómeno e o incentivo da notificação de eventos adversos por parte dos profissionais de saúde.
Nesse sentido, foi hoje lançada a campanha “Braga respeita quem cuida”, que junta o hospital, a PSP, a Câmara, o Agrupamento dos Centros de Saúde (ACES) Cávado 1, o Sporting Clube de Braga, os Transportes Urbanos de Braga (TUB) e a Autoridade para as Condições do Trabalho.

A campanha passará pela colocação de cartazes de sensibilização em diversos espaços do hospital e em todos os ecrãs dos autocarros dos TUB, pela colocação de ‘outdoors’ e mupis por toda a cidade de Braga, a realização de uma formação da PSP para os profissionais de saúde do hospital e uma ação conjunta, em dia de jogo, com o Sporting Clube de Braga.
“Sabemos que o contexto da prestação de cuidados de saúde pode gerar ambientes vulneráveis, causadores de consequências para a saúde física e mental dos nossos profissionais, sendo por isso necessária uma ativa vigilância dos riscos associados e prontas ações para os mitigarmos”, disse ainda João Porfírio Oliveira.

Segundo números da Direção-Geral da Saúde, hoje mencionados na apresentação da campanha, 50% dos profissionais de saúde são vítimas, por ano, de violência física ou psicológica.
Em Portugal, por dia, pelo menos quatro profissionais de saúde são agredidos.

No ACES Cávado 1, e segundo o diretor executivo, Domingos Sousa, um inquérito feito há cerca de dois meses concluiu que 56% dos profissionais que ali exercem já foi vítima de violência.
Em 53% dos casos tratou-se de violência verbal, havendo ainda assédio moral (24%), violência física (10%) e assédio sexual (4%).

“Começa a ser uma situação avassaladora”, referiu Domingos Sousa.

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