Hepatite aguda de origem desconhecida: Doença infantil pode estar ligada à Covid-19, mostra estudo

Mais de 300 casos de hepatite aguda de origem desconhecida em crianças de mais de 20 países podem estar associados ao superantígeno do Coronavírus. A conclusão é de um estudo publicado na revista ‘The Lancet’. 

Pelo menos 348 casos de hepatite aguda grave de causa desconhecida foram relatados em vários países, incluindo Reino Unido, UE, EUA, Israel e Japão. A maioria das crianças desenvolve sintomas gastrointestinais, depois icterícia e, em alguns casos, insuficiência hepática aguda.

Os investigadores sugerem que os casos recentes de hepatite aguda em crianças foram provavelmente o resultado de uma infeção por coronavírus, seguida de uma infeção por adenovírus após o surgimento de um reservatório viral no trato intestinal.

Após a infeção pelo Coronavírus, o reservatório de vírus pode levar à ativação repetida de células imunes mediadas por superantígenos, como a Síndrome Inflamatória Multissistémica em Crianças (MIS-C).

Se tal reservatório estiver presente e a criança for posteriormente infetada com adenovírus (AdV), esse efeito mediado por superantígenos pode ser mais pronunciado e pode levar a anormalidades imunológicas, como a hepatite aguda grave recentemente relatada.

Isabella Eckerle, co-diretora do Centro de Doenças Virais Emergentes dos Hospitais da Universidade de Genebra, disse que a possibilidade de desenvolvimento de hepatite aguda em crianças após a infeção por Covid-19 não pode ser descartada.

A persistência do Coronavírus no trato gastrointestinal de crianças resulta na libertação repetida de proteínas virais nas células epiteliais intestinais, levando à ativação imune, que foi identificada como o mecanismo capaz de causar MIS-C, de acordo com o resultados da pesquisa.

O MIS-C que está altamente relacionado com a infeção por Coronavírus, que tem despertado amplamente preocupações desde abril de 2020, pode causar inflamação em vários órgãos, incluindo coração, pulmões, rins, cérebro, pele, olhos, estômago e fígado, e pode até levar à falência de múltiplos órgãos em casos graves, o que pode causar a morte de crianças.

Os investigadores observaram que a monitorização contínua das fezes de crianças com hepatite aguda é recomendada à luz da situação atual. Se for encontrada evidência de ativação imune mediada por superantígenos de coronavírus, o tratamento imunomodulador deve ser considerado em crianças com hepatite aguda grave.

A juntar-se a estas conclusões estão dados do Escritório Regional da OMS para a Europa, que mostram que mais de 70% dos casos inexplicáveis ​​de hepatite aguda em crianças de 16 anos ou menos tinham sido infetados com o coronavírus.

Entre os casos com evolução médica acompanhada, a percentagem de casos graves chegou a 15,4%. Dos casos com dados de vacinação para COVID-19, 83,9% não foram vacinados.

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