Grécia: Ativistas enfrentam 25 anos de prisão por participar em missões de resgate no Mediterrâneo

O julgamento de 24 trabalhadores de ONGs que participaram em operações de salvamento de migrantes entre 2016 e 2018 arrancou na Grécia sob grande polémica. Os acusados enfrentam uma pena de prisão que pode ir até aos 25 anos, a pena máxima prevista pela justiça grega, sob acusações de espionagem, divulgação dos segredos de Estado, tráfico de seres humanos, filiação a um grupo criminoso e lavagem de dinheiro.

Os trabalhadores são todos membros da Erci (Centro Internacional de Resposta Emergencial), uma ONG que se dedicava a realizar operações de salvamento no Mar Mediterrâneo até 2018. A Erci teve todas as suas atividades suspensas em setembro de 2018, após ser apontada como uma organização terrorista. Entre os 24 acusados, dois já cumpriram três meses de prisão preventiva há três anos.

A Amnistia Internacional já garantiu que as acusações contra os ativistas são “grotescas”. Em comunicado, a organização afirmou que o julgamento “mostra até onde as autoridades gregas estão dispostas a ir para desencorajar as pessoas a prestar apoio aos refugiados e migrantes”. Para a Human Rights Watch, o processo tem claramente “motivações políticas”. Em toda a Europa, há diversos casos de ativistas com processos judiciais por terem ajudado migrantes, “homens e mulheres que fogem de conflitos, torturas ou situações extremas nos seus países de origem, sem outra escolha além de realizar périplos extremamente perigosos à procura de segurança”, reforçou a Amnistia Internacional, em comunicado. “A solidariedade não pode ser um crime”, finalizou.



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