Governo de Boris Johnson em crise: ministro das Finanças e da Saúde demitem-se após novo escândalo

Os ministros da Saúde, Sajid Javid, e o das Finanças do Reino Unido, Rishi Sunak, renunciaram esta terça-feira ao Governo de Boris Johnson na sequência do escândalo que envolveu o deputado Chris Pincher, do Partido Conservador.

“O público espera, com razão, que o Governo seja conduzido de forma adequada, competente e séria. Reconheco que este pode ser o meu último cargo ministerial mas acredito que vale a pena lutar por esses padrões e é por isso que me demito”, reconheceu Rishi Sunak.

“Falei com o primeiro-ministro para apresentar a minha renúncia como secretário de Estado de Saúde e Assistência Social. Foi um enorme privilégio servir neste papel, mas lamento não poder mais continuar em sã consciência”, lamentou Javid, na rede social Twitter.

“O voto de confiança do mês passado mostrou que um grande número dos nossos colegas concorda. Foi um momento de humildade, garra e nova direção. Lamento dizer, no entanto, que está claro para mim que essa situação não mudará sob a sua liderança – e, portanto, também perdeu minha confiança”, explicou o ministro da Saúde.

Sajid Javid e Rishi Sunak são considerados dos mais próximos colaboradores do primeiro-ministro Boris Johnson e condenaram a forma como este reagiu ao polémico caso: tendo sido avisado várias vezes para condutas impróprias passadas de Pincher, decidiu ainda assim nomeá-lo para vice-presidente da bancada parlamentar do partido.

Pincher demitiu-se desse cargo no passado dia 30, depois de uma noite em que, alcoolizado, apalpou vários homens numa festa num clube londrino. Foi suspenso do partido mas continua deputado. O gabinete de Johnson começou por negar que este tivesse conhecimento das impropriedades do demissionário, para depois alegar que o primeiro-ministro se esquecera da informação.

Esta é a segunda vez que Pincher, deputado eleito pelo círculo de Tamworth desde 2010, foi obrigado a abandonar o cargo por causa de alegações de caráter sexual: em 2017, foi acusado de ter feito avanços a um antigo remador olímpico, o ativista Tory Alex Story, que na altura tinha 26 anos, embora um inquérito o tenha ilibado. Entretanto, os jornais britânicos ‘Independent’, ‘Mail on Sunday’ e ‘Sunday Times’ revelaram outros três casos que o político protagonizou “avanços não desejados” com outros deputados, como um ocorrido num bar do Parlamento britânico e outro no seu próprio gabinete, há mais de uma década.

Pincher torna-se no quinto deputado conservador envolvido num escândalo sexual desde abril: um deputado suspeito de violação ainda não identificado foi detido e mais tarde libertado sob fiança em meados de maio, outro admitiu em abril ter visto pornografia no telemóvel enquanto estava no plenário no Parlamento, enquanto um antigo deputado foi condenado em maio a 18 meses de prisão por assédio sexual a um menor de 15 anos.

Apesar das renúncias dos dois pesos-pesados do Governo britânico, houve vários ministros que garantiram que não o vão fazer: os ministros da Economia (Kwasi Kwarteng), Interior (Priti Patel), Desenvolvimento Internacional (Anne-Marie Trevelyan) e Defesa (Ben Wallace) não tencionam demitir-se, avançou o canal televisivo ‘Sky News’. Também Liz Truss, ministra dos Negócios Estrangeiros, declarou-se “100% com o primeiro-ministro”. O vice-primeiro-ministro e titular da Justiça, Dominic Raab, também se mantém no posto. A procuradora-geral Suella Braverman mantém igualmente a confiança em Boris Johnson.

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