“Toda a gente vai poder aceder a toda a informação” sobre funcionamento do SNS. Governo apresenta Plano Estratégico para o inverno

Foi apresentado esta quarta-feira o plano estratégico do Ministério da Saúde com medidas para responder ao inverno, altura de maior circulação de vírus respiratórios, A sessão decorreu em Lisboa, e contou com a presença do ministro Manuel Pizarro.

Vacinação e máscaras são arma de combate às infeções respiratórias
Depois de Manuel Pizarro sublinhar que o Plano Estratégico do Ministério da Saúde para a Resposta Sazonal em Saúde para este inverno resulta de um “esforço apurado de colaboração e colaboração de diferentes instituições do SNS”, a palavra foi passada à secretária de Estado Margarida Tavares, que passou a apresentar o plano.

A responsável recordou os quase três anos de pandemia, “a maior prova do SNS”, e o resultado positivo alcançado pelo País no combate à Covid-19, com uma “resposta absolutamente exemplar” na aceitação da vacina por parte da população. “Queremos marcar com este plano mais fortemente a necessidade de reequilibrar a resposta dos serviços de saúde, sem deixar ninguém para trás”, referiu a responsável.

Margarida Tavares referiu que os “desafios do inverno”, as infeções respiratórias, não são novos e destacou que o plano está em linha linha com as orientações da União Europeia, ECDC e da OMS”, que reforçam que é preciso assegurar níveis elevados de vacinação de reforço contra a Covid-19, quer para a gripe, quer para a Covid-19. “O uso de máscaras continua a ser importante, em ambientes fechados, ou se o próprio tenha sintomas respiratórios”, sublinhou a responsável, recordando também a importância de manter a ventilação de espaços.

Um plano em quatro eixos
Segundo a apresentação do Governo, o plano sazonal quer reduzir a ocorrência de casos de infeções respiratórias, a necessidade recurso cuidados de saúde, o impacto na produtividade, e o número de hospitalizações e mortes durante o inverno.

São objetivos a atingir, o normal funcionamento e capacidade de resposta SNS, a promoção da literacia em saúde.

Assim, o plano funciona em quatro eixos: Vigilância, Medidas de prevenção e contenção, Prestação de Cuidados de Saúde, Comunicação e Envolvimento da Comunidade.

No que diz respeito à vigilância, o governo destacou a criação de uma Equipa de Monitorização e Intervenção na Resposta Sazonal em Saúde, uma “equipa multi-institucional e multidisciplinar em funcionamento permanente no Ministério da Saúde”.

Vigilância, medidas prevenção e contenção, eixo prestação cuidados de saúde, comunicação e envolvimento da comunidade (queremos a participação de todos). Vai ser reforçado e consolidado o sistema Sentinela, alargado da gripe para outros vírus respiratórios, reforçada a vigilância de surtos em lares, estruturas residenciais para idosos e similares.

Quanto à prevenção, foi reforçada a importância da vacinação sazonal, “que este ano começou mais cedo”. Margarida Tavares anunciou passou a estar disponível esta quarta-feira, celebrando o facto. “Queremos que todos participem, para estarem mais protegidos”, disse.

No eixo dos Cuidados de Saúde, a secretária de Estado referiu o problema das Urgências “que ninguém quer ver repetido” e referiu que vão ser tomadas medidas antes dos serviços de urgência, como a utilização da linha SNS24 para orientar os utentes, mas sobretudo a atualização diária no portal do SNS com informação sobre as unidades de saúde em funcionamento, com regime alargado ou complementar. Já no funcionamento dos hospitais ” a boa articulação de serviços é fundamental”.

A secretária de Estado anunciou que o plano prevê o desenvolvimento de um programa de transição dos utentes entre a alta hospitalar e as instituições sociais, “alargando a capacidade de resposta do setor social pelo Estado e agilizando a saída hospitalar”.

Plano preocupado com a população idosa vulnerável

Destacou Maragarida Tavares que o plano sazonal é particularmente focado na proteção dos idosos, estando previsto reforço da identificação e mitigação de situações de vulnerabilidade para pessoas idosas, vigilância de surtos em lares, priorização da vacinação sazonal, telessaúde de apoio a profissionais que trabalhem em instituições que acolhem idosos e disponibilização de mais vagas.

Toda a informação divulgada no Portal do SNS

Ricardo Mestre, secretário de Estado, explicou depois que o plano de saúde prevê uma divulgação de informação sobre o funcionamento do SNS no respetivo portal. Segundo ilustrou o responsável, os utentes poderão passar a consultar no portal do SNS “toda a informação, que antes estava dispersa, concentrada no mesmo local”. Dados sobre horários e funcionamento de centros de saúde, hospitais e serviços de urgência, informações sobre casos de gripe, consultas dadas, procura e resposta em cada unidade de saúde, vão passar a ser atualizados diariamente.

No final da apresentação geral do plano, Manuel Pizarro destacou o envolvimento da comunidade que o SNS quer ao divulgar maior quantidade de informação na sua plataforma própria.

“O nível de informação disponibilizada ao publico é igual ao que temos na sala de monitorização, toda a gente vai poder aceder a toda a informação”, disse o ministro da Saúde, que exemplificou que um utente que tenha um caso de doença aguda, pode facilmente ver o centro de saúde mais perto de si que o pode atender, e desta forma reduzir o ‘entupimento’ das urgências hospitalares.

“É importante que haja um esforço de esclarecimento e de literacia para a saúde. Temos que educar a acorrer primeiro aos centros de saúde. E não tem de ser o seu centro de saúde, pode ser o centro de saúde mais próximo que esteja disponível, nos casos de doença aguda”, ilustrou.

Pizarro destacou que “hoje já estão abertos 36 centros de saúde na região de Lisboa e Vale do Tejo”, com as informações atualizadas a serem disponibilizadas no portal do SNS.

O governante terminou destacando o plano “robusto”, mas que não vai fazer como que “o inverno seja isento de dificuldades”. “Será um período exigente para o SNS, mas o SNS vai provar a sua capacidade”, garantiu Pizarro.

Este plano surge depois da reunião com peritos que decorreu em 11 de novembro no Infarmed, um ponto de situação sobre a situação epidemiológica no país que o ministro da Saúde considerou útil para preparar a resposta do Serviço Nacional de Saúde nos próximos meses. Nessa altura, a Direção-Geral da Saúde avançou que Portugal registava um aumento de infeções respiratórias, semelhante ao período antes da pandemia, com reflexo na pressão sobre os serviços de saúde, mas com impacto reduzido na mortalidade.
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