Gasolina 95 ultrapassa pela primeira vez os dois euros (e preços voltam a subir na próxima semana)

Prepare-se para desembolsar mais uns euros para atestar o depósito do seu automóvel. Os preços dos combustíveis voltam a subir na próxima semana: “confirma-se que a tendência é de subida”, adiantou fonte do setor à Multinews, remetendo os valores finais para o dia de amanhã.

Esta será a oitava semana consecutiva de aumentos para o gasóleo, segundo os dados da Direção Geral de Energia e Geologia (DGEG). Neste período, o ‘diesel’ valorizou 10 cêntimos por litro. Já a gasolina vai subir pela terceira semana seguida.

Esta tendência de subida já não é nova. Os preços dos combustíveis em Portugal têm registado uma trajetória ascendente desde o início do ano. Os dados da DGEG mostram que o gasóleo já subiu 38 vezes e desceu apenas oito desde o início do ano. Quanto à gasolina, aumentou 30 vezes e recuou apenas sete desde janeiro.

Contas feitas, desde janeiro, a gasolina subiu 28 cêntimos por litro enquanto o gasóleo valorizou 23 cêntimos. Encher um depósito de 60 litros de gasolina custa agora mais de 17 euros do que há 10 meses. Já para atestar um depósito de gasóleo são precisos mais de 14 euros.

O preço médio do litro de gasolina simples 95 em Portugal custa atualmente 1,740 euros enquanto o do gasóleo simples vale 1,530 euros. Já o litro de gasolina 95 especial ultrapassou esta quarta-feira, pela primeira vez, os dois euros em vários postos do país, o que representa um valor recorde. No domingo, também a gasolina 98 ultrapassou esta barreira, passando a valer mais de dois cêntimos por litro.

Transportadores vão definir medidas para contestar subida dos preços

Os transportadores de mercadorias preparam-se para definir medidas para responder à escalada dos preços dos combustíveis, mostrando-se desagradados com a posição do Governo.

“[…] Em resposta aos apelos das empresas associadas da ANTRAM [Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias] foi decidido alterar o tema do congresso anual – que se realizará nos próximos dias 29 e 30 de outubro – de forma a que o mesmo seja centrado na análise e discussão do aumento dos custos com os combustíveis, e, desta forma, dar voz ao universo associativo e, em conjunto, definir as medidas necessárias para responder a esta crise”, apontou, em comunicado.

A associação esteve ontem reunida, de emergência, para debater a escalada do preço dos combustíveis, num encontro onde ficou claro o “profundo desagrado” do setor para com o Governo.

Constituída em 1975, a ANTRAM representa cerca de 2.000 empresas nacionais e está presente em Lisboa, Porto, Coimbra, Évora e Faro.

Governo descarta descida de impostos 

Na segunda-feira, o ministro da Economia, Siza Vieira, rejeitou a possibilidade de baixar impostos nos combustíveis fósseis, para atenuar a subida de preços, argumentando que a estabilidade fiscal dá previsibilidade aos agentes económicos para a inevitável transição para energias mais sustentáveis.

“Por muito que nos custe, os combustíveis fósseis vão aumentar o preço nos próximos anos”, afirmou o governante, num encontro no âmbito do ciclo de conferências Retomar Portugal, da TSF e do JN, dedicado ao tema das exportações, que contou com representantes da indústria, banca e empresas.

Siza Vieira insistiu que não deve ser alterada a estabilidade fiscal, que disse não ter alterações desde 2016, nem evitada a subida de preços, mas que “o esforço” do país deve ser o de reduzir a dependência energética do exterior, evitando a compra de combustíveis fósseis e o endividamento perante o exterior, e o de “aumentar e tornar mais competitivos, comparativamente, os custos das energias renováveis e da endogenização” da fatura energética nacional.

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