Fim total do uso de máscara? Médicos de saúde pública estão contra. “Medida continua a ser adequada à nossa realidade”

Foi avançada ontem a notícia de que Portugal já teria atingido os critérios definidos pelo Governo para o levantamento total do uso de máscara: 20 mortes por milhão de habitantes a 14 dias e menos de 170 camas ocupadas em unidades de cuidados intensivos.

Contudo, para os médicos de saúde pública ainda não está na hora de aliviar totalmente a medida. “Portugal mantém uma incidência bastante elevada de novos casos de COVID, ainda não tendo descido abaixo do patamar dos 240 a 480 novos casos em 14 dias”, começa por referir o presidente da Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública (ANMSP), numa resposta à Multinews.

“Atualmente, o uso de máscara apenas é obrigatório nos serviços de saúde, lares de idosos e transportes públicos. Desta forma, o uso de máscara é já bastante residual, pelo que não considero que seja uma enorme vantagem levantar esta medida”, aponta Gustavo Tato Borges.

O responsável sublinha que “talvez possamos levantar o uso de máscara nos transportes públicos, mas não será esta medida que irá alterar consideravelmente o nosso dia a dia” e acrescenta: “não virá daí uma melhoria significativa para a vida das pessoas”.

Assim, nesta fase, aponta, “a manutenção do uso de máscara nos serviços de saúde e nos lares de idosos, continua a ser uma medida adequada à nossa realidade” e só “quando a incidência baixar para valores abaixo dos 120 novos casos por 100000 habitantes poderemos, com segurança, remover o uso de máscara nestes locais”.

“Até lá, manter a tónica na vacinação (devendo a população regularizar a sua situação vacinal, com a toma da 1ª ou da 2ª dose de reforço, de acordo com os critérios da DGS e as crianças devem completar o esquema vacinal primário) e nas medidas preventivas (uso de máscara de lavagem das mãos)”, aponta.

Já hoje o secretário de Estado e da Saúde, António Lacerda Sales, defendeu uma manutenção das medidas ainda em vigor “por mais algum tempo”.

“Apesar de estarmos a atingir valores decrescentes, acho que devemos manter algumas medidas cautelares, que devem ser consolidadas durante mais algum tempo”, afirmou em declarações aos jornalistas.

Nova vaga a caminho

Tato Borges adianta ainda que “estamos numa situação epidemiológica de aparente controlo, a caminhar para uma situação de acalmia. No entanto, aproxima-se o outono-inverno, e prevê-se uma nova onda pandémica, pelo que as pessoas devem preparar-se para um agravamento no fim do ano”.

“Para a enfrentar, Portugal deve trabalhar para garantir o fornecimento adequado do número de doses vacinais para proteger os mais vulneráveis, apostar numa campanha de sensibilização forte para a importância de nos protegermos uns aos outros e manter uma vigilância apertada ao número de novos casos, internamentos e óbitos”, conclui.

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