Famílias já representam 80% dos pedidos de insolvência: mulheres com filhos menores a cargo são o grupo de maior risco

São as famílias, mais do que as empresas, em maior risco de insolvência: em particular as pessoas mais frágeis, frequentemente mulheres, em situação de monoparentalidade e com filhos menores a cargo, único sustento da família e baixos rendimentos, segundo revelou esta quarta-feira o ‘Jornal de Negócios’, que estão na “antecâmara da insolvência”. Em destaque estão também as pessoas com 55 ou mais anos, desempregados de longa duração e sem conseguir voltar ao mercado de trabalho, de acordo com um estudo realizado pela Nova School of Law e o ISCTE-IUL.

Para os autores do esstudo, a prevenção é o melhor remédio, sobretudo num momento em que a subida da inflação e a grande exposição ao crédito pode ter consequências drásticas. Susana Santos, coautora do estudo, revelou não existirem dados sobre um aumento de casos de sobre-endividamento mas mostrou-se “pessimista, sobretudo com as famílias”.

“Há uma grande exposição ao crédito ao consumo, os dados mostram famílias em média com cinco créditos”, sublinhou a socióloga e professora do ISCTE. A isto acrescenta-se “um aumento do desemprego, a inflação que não reduz o ritmo, as taxas Euribor que ainda não dão sinais de abrandar, os aumentos salariais que não cobrem a inflação, com uma perda de poder de compra associada a tudo isto”. “A nova possibilidade de renegociação de créditos e o aperto da malha na constituição de novos créditos pode evitar mais endividamento, mas não apaga o que já existe”, apontou.

Segundo dados do Ministério da Justiça, nos primeiros 9 meses de 2022, foram declaradas 5.161 insolvências de famílias, 80% do total registado: houve 1.216 casos em empresas. Houve também um aumento crescente do número de casos (5%) face a 2021.

“Há muitos casos de pessoas com vários créditos contratados o que faz com que dificuldades externas, como o desemprego ou a doença, sejam fatores extremamente importantes para haver um desequilíbrio nas contas”, alertou a responsável, garantindo que, para quem recorreu a um processo especial para acordo de pagamento, 58,9% conseguiu chegar a acordo com os credores.

As pessoas que mais recorrem a um processo especial para acordo de pagamento são homens (70%), com um idade média de 48 anos, sendo que 50% casados e 43% com dependentes a cargo. Têm um rendimento mensal médio de 1.242 euros e cinco credores em média. Mais: 82% têm créditos ao consumo e 57% têm crédito para compra de imóveis. Por último, 72% têm ações executivas anteriores para cobrança de dívidas.

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