“Estão a levá-los todos”: Rússia ‘caça’ soldados nas regiões mais pobres do país

A mobilização parcial decretada pelo presidente russo, Vladimir Putin, já está em pleno funcionamento na Rússia, onde muitos reservistas já foram notificados do seu dever de se juntar às fileiras do exército para lutar na Ucrânia, enquanto muitos procuram abandonar o quanto antes o país.

É nas regiões russas mais afastadas da frente ucraniana, onde os soldados são enterrados sem câmaras de televisão e as manifestações têm pouca força ou eco é que a mobilização parcial ‘rebentou’ com mais estrondo. “Estão a levá-los todos”, apontou a ativista Victoria Maladaeva, da Fundação ‘Free Buryatia’. “Estão a pôr as pessoas nos autocarros. Hoje em dia aconselho a fugirem para a vizinha Mongólia enquanto podem.”

Segundo a organização independente OVD-Info, após os protestos em mais de 40 cidades do país, foram relatados casos, entre os 1.321 detidos, em que foram feitas tentativas para que os presos acusassem o recebimento das notificações da mobilização.

O conhecido advogado de direitos humanos, Pavel Chikov, destacou, na rede social ‘Telegram’ que numa esquadra de polícia de Moscovo os jovens detidos receberam intimações de um representante do escritório de registo e alistamento militar. E na segunda cidade do país, São Petersburgo, os centros de recrutamento distribuem chamadas aos “lotes”, acusou.

O órgão de comunicação social siberiana Taiga.info publicou um vídeo no qual se asssitia à entrada nos autocarros na cidade de Neriungrí, em Yakutia, no Extremo Oriente.

Outros russos decidiram não esperar pela notificação militar e pretendem deixar o país. Quase não há passagens de avião para países onde os russos não precisam de visto, como Arménia, Turquia ou Azerbaijão e Ásia Central, ou se existem, são proibitivamente caros. No controlo de passaportes do aeroporto de Domodedovo, a polícia fez uma série de perguntas a todos os homens, como quando compraram o bilhete, se tinham passagem de volta e qual o objetivo da viagem.

Em princípio, Putin assegurou que só serão chamados a participar da mobilização parcial aqueles que tenham cumprido o serviço militar obrigatório, tenham experiência de combate ou alguma especialidade necessária às Forças Armadas. MAs levantam-se muitas dúvidas sobre essa intenção, uma vez que começam a ser revelados casos que sugerem que outros homens que não reservistas também foram convocados. Como o caso do marido de uma jornalista da cidade de Ulan-Ude, de 38 anos e com 5 filhos, que foi convocado à noite apesar de não estar na reserva e apesar da lei federal que proíbe a mobilização de reservistas com três ou mais filhos.

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