Está a tomar paracetamol? Então elimine estes alimentos da sua dieta, alerta especialista

O paracetamol, um análgesico comummente usado pela maioria das pessoas, deve ser tomado com cautela, alertam os especialistas. O que nem sempre acontece, uma vez que “muitas vezes é tomado em casa e corre bem mas a recomendação deve ser sempre perguntar a um profissional de saúde antes de interpretar as informações que surgem nos folhetos”, alertou o farmacêutico Juan Carlos Juárez, do Centro de Informação de Medicamentos, pertencente ao serviço de Farmácia do Hospital Universitário Vall d’Hebron, em Barcelona, em declarações ao jornal espanhol ‘La Vanguardia’.

Segundo o especialista, perante qualquer dor é sempre o médico “que deve avaliar o nosso estado de saúde e ponderar, se necessário, o tratamento. Em caso afirmativo, avaliar de forma mais adequadada se pode administrar um medicamento”. A teoria é esta, a realidade acaba por ser diferente: na verdade, há muitas pessoas que usam o paracetamol, também conhecido como acetaminofeno, perante dores musculares, dores de cabeça, articulações ou dores menstruais, ou seja, qualquer desconforto que possa ocorrer numa base diária.

O paracetamol suscitou o alerta devido à ‘leveza’ com que é frequentemente consumido: muitas pessoas esquecem-se que, como todos os medicamentos, o consumo excessivo pode levar a riscos para a saúde, por vezes graves. Segundo um estudo realizado pela Ohio State University, nos Estados Unidos, publicado na revista ‘Science Alert’, as pessoas que usam paracetamol podem assumir comportamentos de risco maiores do que aquelas que não o fazem, conclusão que se soma às que relacionam o consumo dessa droga com processos psicológicos, como a redução da empatia e até mesmo o enfraquecimento das funções cognitivas.

Embora a quantidade tóxica do paracetamol seja muito variável, em geral a dose máxima recomendada em adultos saudáveis ​​é de 3 g ao dia (1 g a cada 8 horas no máximo), pois quando administrado em doses mais altas há risco de intoxicação. Mas não é necessário ser tomado de forma concentrada para poder ocorrer uma overdose de paracetamol, de acordo com um estudo publicado no ‘British Journal of Clinical Pharmacology’: a “overdose gradual” também pode ocorrer, o que ocorre nesses pacientes que consomem regularmente altas doses de paracetamol.

Assim, a automedicação deve ser evitada, lembrou Juárez, principalmente se for repetida ao longo do tempo. “O papel fundamental dos profissionais de saúde, que costumam trabalhar com fontes confiáveis, deve ser considerado na avaliação das interações medicamentosas. Não podemos esquecer que estão disponíveis no nosso sistema de saúde para aconselhar e recomendar em caso de dúvida farmacológica”, explicou, lembrando que, embora às vezes tenhamos preguiça ou tenhamos dificuldade de ler os prospetos, as informações necessárias para o fornecimento correto de qualquer medicamento estão lá.

Em relação ao consumo de paracetamol, Juárez recomendou tomar sempre o paracetamol com um copo de líquido, de preferência água. “Com a ingestão simultânea de paracetamol e alimentos, o tempo de absorção do paracetamol aumenta, pois os alimentos diminuem a motilidade e o tempo de trânsito gastrointestinal”, recomendou – ou seja, “para alívio rápido da dor, é melhor tomar a medicação sem alimentos”, apontou.

No entanto, há alimentos que devem ser evitados ao tomar paracetamol:

Álcool

Na ficha técnica pode ler-se, de forma clara: “O uso de paracetamol em pacientes que consomem álcool regulamente – três ou mais bebidas alcoólicas (cerveja, vinho, licor, etc.) por dia – pode causar danos no fígado.” Nesse sentido, o farmacêutico é contundente: “Como você pode ver, não é apropriado misturar álcool e medicamentos, e o paracetamol em particular. Esse analgésico é eliminado principalmente pelo fígado, como o álcool, por isso foi demonstrado que a sua administração conjunta não é nada benéfica para esse órgão.” Aliás, o farmacêutico salientou que “existem provas científicas documentadas que mostram que o álcool, juntamente com o paracetamol, pode aumentar as enzimas hepáticas no sangue, o que implica a sua afetação e potenciais danos”.

Hidratos de carbono

Dado que o consumo de paracetamol com alimentos pode retardar os seus efeitos, o melhor a fazer, se a dor for intensa, é consumir apenas com um copo de água. Juárez lembrou que tanto no caso do paracetamol como de outros medicamentos, o consumo alimentar pode influenciar significativamente os seus efeitos, “atrasando, acelerando, diminuindo ou aumentando a sua ação farmacológica”. Note-se, no entanto, que em alguns casos “pode ser que os alimentos ajudem a tolerar melhor o medicamento e ter um efeito benéfico”.

A ficha técnica do paracetamol lembra que “para alívio rápido da dor, tome o medicamento sem alimentos, principalmente se tiver alto teor de carboidratos”. Portanto, é aconselhável evitar o consumo de massas, batatas e doces, mas também frutas ricas em carboidratos, como bananas, maçãs ou pêssegos, que podem modificar a absorção do paracetamol e levar a um certo atraso no início do seu efeito analgésico.

Juárez recomendou, portanto, tomar paracetamol com um copo de água pela manhã e esperar pelo menos uma hora até o café da manhã ou, se não, tomar paracetamol algumas horas após o café da manhã. “Se não for necessária uma ação urgente diante da dor aguda, o paracetamol pode ser consumido sem problemas com a alimentação”, concluiu.

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