Especialistas alertam para possível convergência da Covid-19 com a gripe e outros vírus respiratórios

O inverno é incerto aos olhos de epidemiologistas e virologistas, que alertam agora para a ameaça de uma possível convergência de vários vírus respiratórios, como a Covid-19, mas também a gripe e o vírus sincicial respiratório, avança o ‘El País’.

Segundo a mesma publicação, no ano passado quase todos os restantes vírus acabaram por não ser muito significativos, com a Covid-19 a prevalecer praticamente sozinha, mas este ano o cenário pode ser outro.

Apesar de a pandemia dar sinais de “controlo” e de grande parte da população estar totalmente vacinada contra o vírus em vários países, as restrições foram aliviadas e o desconfinamento é agora quase total, mantendo-se apenas algumas regras básicas.

Por exemplo, no caso de Portugal, a máscara já não é obrigatória na via pública, nem na restauração ou discotecas, o que pode contribuir para a circulação de mais vírus respiratórios em simultâneo.

Este equipamento de proteção foi justamente uma das medidas que ajudaram no inverno passado a conter o vírus da gripe, comum nos meses mais frios do ano. Este ano ninguém sabe ao certo o que vai acontecer.

Num inverno normal, antes do surgimento da Covid-19, os vírus respiratórios respeitavam os seus espaços: o vírus sincicial respiratório (VSR), que causa a maioria das bronquiolites em crianças, teve o seu pico em dezembro, dando lugar à gripe que atingiu o auge depois do Natal, adianta o ‘El País’.

Contudo, com a chegada do coronavírus, todo o ecossistema viral alterou-se, mudando também os cenários. “Não há nenhum indicador que nos diga o que vai acontecer. Os vírus respiratórios tiveram um comportamento errático durante a pandemia “, destaca o vice-presidente da Sociedade Espanhola de Virologia, Juan García Costa, citado pelo jornal.

Os especialistas costumam olhar para os países do cone sul, que têm o seu inverno entre julho e agosto, para prever como o vírus da gripe se vai comportar no inverno do hemisfério norte.

Mas este ano é diferente: primeiramente porque o maior ou menor nível de restrições sociais e a presença da Covid-19 podem modular, como aconteceu no ano passado, a presença de outros vírus e nem todos os países estão na mesma situação.

De qualquer forma, os primeiros dados sugerem que este ano também não se verificou uma elevada incidência de gripe nos países do sul do globo, segundo Toni Trilla, diretor de Epidemiologia do Hospital Clínic de Barcelona.

“Os países do hemisfério sul são diferentes, mas alguns podem servir de modelo porque também estão num plano de medidas anticovid. Nesses países, o vírus da gripe não circulou de forma significativa ”, afirmou ao ‘El País’.

Na Austrália, destaca o epidemiologista, também não houve gripe. “Este vírus é imprevisível, mas o seu inverno praticamente fechou sem incidência. A Índia é a única que emitiu um alerta elevado de gripe, mas lá não há sazonalidade. É impossível saber se vai circular no hemisfério norte”, conclui.

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