Facebook fez esforços “inadequados” para remover material de abuso infantil, revela denunciante

Um antigo funcionário do Facebook alertou as autoridades americanas que os esforços da empresa para remover material de abuso infantil da plataforma eram “inadequados” e “tinham poucos recursos”, segundo revelou esta quinta-feira a ‘BBC News’, de acordo com documentos enviados à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). O denunciante afirmou ainda que os moderadores “não são suficientemente treinados e estão mal preparados”.

O Facebook já reagiu, em comunicado: “Não temos tolerância com esse abominável abuso de crianças e usamos tecnologias sofisticadas para o combater. Financiamos e ajudamos a construir as ferramentas usadas pela indústria para investigar esse terrível crime, resgatar crianças e levar justiça às vítimas”, garantiu a gigante tecnológica, que acrescentou que partilhou as tecnologias antiabuso com outras empresas.

As revelações trazidas pela ‘BBC News’ chegaram através de um denunciante não identificado, com conhecimento interno das equipas do Facebook criadas para intercetar material prejudicial. Em declarações sob juramento à SEC, garantiu que não havia solução para o material ilegal no Facebook porque não havia “ativos adequados dedicados ao problema”, frisando que uma pequena equipa criada para desenvolver um software capaz de detetar vídeos indecentes de crianças foi redistribuída por ter sido considerada “muito complexa”.

O Facebook defendeu que utiliza uma tecnologia conhecida como PhotoDNA e VideoDNA, que faz uma varredura automática de imagens de abuso infantil – cada imagem recuperada por polícias em todo o Mundo e referida ao Centro Nacional Americano para Crianças Desaparecidas e Exploradas, recebe um código de identificação exclusivo.

No entanto, o Facebook não conhece a real escala do problema porque “não rastreia” porque, segundo o denunciante, a pergunta no gigante tecnológico seria “qual é o retorno do investimento?”. No documento legal de cinco páginas havia também um alerta sobre os grupos do Facebook, que foram descritos como “facilitadores de danos”. Os grupos, muitos dos quais são visíveis apenas para os membros, é onde “ocorrem muitos comportamentos aterrorizantes e abomináveis”. “O sistema do Facebook depende de um modelo de autopoliciamento que não pode ser aplicado de forma racional ou razoável.”

Em conclusão, o antigo funcionário garantiu: “A menos que haja uma ameaça credível de ação legislativa ou legal, o Facebook não mudará.”

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