Ensaio: Polestar 2 – O rival do Tesla Model 3 apresenta-se

Por Jorge Farromba

Era com um misto de adrenalina e de know-how sobre o Polestar que quis fazer este ensaio. Até mesmo alunos meus que possuíam Tesla me falavam que queriam divergir para o Polestar, daí que, sendo o concorrente mais direto do Model 3, recaíam sobre ele muitas expetativas.

Tal como a sua concorrente, também esta é uma marca nova – 2017 – mas, ao contrário da TESLA que começou de uma folha em branco (em vários itens) esta possui o savoir-faire da Volvo e do grupo Geely, marca, com quem aliás partilha muitos componentes.

Quando olhamos para o Polestar facilmente nos recordamos de modelos da VOLVO – o que nos remete para segurança, qualidade de construção, robustez e fiabilidade, se bem que aqui, ligeiramente retocados para uma imagem ainda mais robusta, “clean” e racional.

Tal como o TESLA, o desenho da carroçaria distancia-se da concorrência numa identidade que se aprende a gostar.  Acredito até que, noutra cor que não a do ensaio, essa imagem seja ainda mais bem conseguida.

Já no interior e, com os cintos de segurança alaranjados (parte do ADN da marca) sobressaem uns bancos confortáveis e uma qualidade de materiais e de construção de nível superior, sendo que a matriz de base é Volvo.

O ecrã central é um dejá-vu da indústria na Tesla e na Renault, sendo que o software incluído no mesmo não é de fácil usabilidade. Possui, no entanto, um software e hardware de câmaras de alto nível (bem como o sistema de som Harman-Kardon). Com uma boa posição de condução, uns bancos acolhedores e uma envolvência muito bem conseguida no interior. com muitos plásticos moles e uma clara aposta na sustentabilidade, damos início ao ensaio.

E, para tal, nada como o testar no mesmo ambiente, no mesmo percurso e, tanto quanto possível nas mesmas condições com que testei o Model 3.

Assim, em ambiente real e, sem preocupações de consumos, médias e ar condicionado ligado, efetuei 286km com uma carga de bateria, para uma autonomia estimada de 400km, com uma folga à chegada ao destino de 40km! Donde, teria realizado cerca de 326km! Recordar que a temperatura exterior oscilou sempre entre os 36 e 39º, o que não ajudou a uma boa média.

Considerando que o ensaio foi realizado em estrada aberta com desníveis parece-me bem balanceado o software e a média obtida! O percurso teve AE, estrada plana (lezíria de Santarém), AE e estrada nacional com alguma regeneração, mas muito consumo em subidas.

O POLESTAR 2 é um sueco confortável (estilo alemão) onde as JLL de grandes dimensões até podiam penalizar!

Nestes quase 300km pude aperceber-me de vários detalhes:

  • O conforto é germânico – que aprecio;
  • os bancos são confortáveis e com o apoio correto;
  • o comportamento é de elevado nível – parece um comboio sobre carris – mesmo se provocado;
  • direção é precisa e incute confiança;
  • afinação das suspensões privilegia a eficácia e o comportamento (mais duro sobretudo em piso menos bom ou em paralelepípedo) ;
  • a acústica é de bom nível (poucos ruídos exteriores do vento mesmo a velocidades elevadas);
  • boa capacidade de travagem (com um e-pedal muito bem calibrado);
  • sistema de monitorização da faixa de rodagem preciso e suave.

Obviamente que, como em qualquer produto que é lançado temos sempre pontos a melhorar e, no Polestar dizem respeito à user experience do painel central, às saídas de ar horizontais (inovadoras é certo) mas que são menos precisas que as tradicionais (assim colocadas por causa do ecrã central de grandes dimensões) e à visibilidade reduzida para a traseira (mas que contrapõe com um sistema traseiro de câmaras e software de nível superior)!

Trata-se de um modelo com um desenho próprio, bem conseguido, diria germânico ou sueco (que mistura a tradição e inovação e se perpetua pelos anos com grande longevidade), a Polestar lança um bom produto, certamente com ainda pequenos detalhes a melhorar mas de uma competência ao nível dos melhores do segmento!

A versão ensaiada – Long Range Single Motor possui 228cv e uma bateria de 78 kWh incrementa a autonomia estimada para 540 km, com tração dianteira.

Terá certamente seguidores!

Preço final 53.400€

 

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