Ensaio. Nissan X-Trail: Um novo caminho no segmento premium

Por Jorge Farromba

A Nissan trouxe-nos à Eslovénia para mostrar a 4ª geração do bem-sucedido X-TRAIL, um modelo que tem na atualidade uma importância grande para a marca.

Mas antes disso um detalhe que por acaso não o é!

Ao dia de hoje todas as marcas às quais vou a apresentações ou realizo ensaios têm uma preocupação com a sustentabilidade e o meio ambiente. E, para isso, toda a experiência é sempre pensada com esse fim. A Eslovénia é um país muito focado nessa área, onde em todo o lado vislumbramos serrações de madeira e um país claramente “verde”, onde até os rails de proteção da estrada… são forrados a madeira. Detalhes?

A beleza de um país também se mede no modo como o trata. E, foi neste cenário que a Nissan quis que conhecêssemos o X-TRAIL.

O modelo teve o seu início em 2001 e já vendeu três milhões de unidades (em Portugal foi líder em 2016 e 2017 no segmento dos SUV até à mudança na fiscalidade).

E esta 4ª geração foca-se em três pontos:
1. Design moderno
2. Verdadeira família eletrificada
3. Advanced eletrified power train

A marca tem como objetivo em termos de eletrificação: 2023 – Ter uma oferta eletrificada de cada modelo da marca; 2026 – 75%; e 2030 – 100%.

E o que vale o X-TRAIL?

Destacando-se da geração anterior, cresce em largura e comprimento e aproxima-se bastante do Ariya como um atrativo SUV em Stance e Proportion.

A frente tem grandes similitudes com o SUV elétrico da marca, onde se destaca a grande grelha; a lateral com linhas encorpadas para terminar com umas cavas das rodas pronunciadas e destacadas. A traseira termina de forma suave, esculpida e com uma linha ótica horizontal que cativa. Os para-choques traseiros terminam com apontamentos em cromado a fazer recordar as proteções para terrenos mais difíceis.

Mas é talvez o interior aquele que mais se destaca. O cuidado nos materiais, os detalhes, a perceção dos mesmos, redireciona o X-TRAIL para um conceito premium onde muitos dos plásticos são moles, a pele sintética marca (muita) presença com bancos de belo efeito visual, mas acima de tudo confortáveis e envolventes (elétricos).

A posição de condução é mais elevada que um automóvel normal, mas possui um baixo centro de gravidade face aos SUV tradicionais e isso vai refletir-se na dinâmica. Mas já lá iremos. Este refinamento do interior vai posicionar o Nissan num patamar premium.

O painel de instrumentos e o ecrã central possuem uma boa legibilidade e sobretudo facilidade de utilização. Possui como adicional o Head up display (nalgumas versões com recurso a realidade aumentada). A consola central possui vários locais para arrumação de objetos, o carregamento por indução (apple car play, android auto e alexa) e um apoio de braços bipartido útil e confortável.

Com uma posição de condução muito bem conseguida, e uma esculpida manete da caixa de velocidades automática, o X-Trail tem na dianteira tudo para cativar. Na segunda fila possui enorme espaço em altura e largura (o piso é plano) e, portanto, três passageiros viajam confortavelmente sendo possível avançar longitudinalmente os bancos, onde nas versões com 7 lugares ajuda bastante. O ar condicionado e tomadas USB estão presentes nas 3 zonas.

A Nissan manteve vários botões físicos pois, nos estudos da marca, o cliente pretende ainda esse tipo de botão.

Em termos de sistemas de segurança a Nissan manteve o que toda a concorrência já possui, desde os sensores de estacionamento, as múltiplas câmaras, sensor de ângulo morto; saída involuntária de faixa, travagem de emergência, leitura dos sinais de trânsito. Enfim, tudo o que faz falta na hora para não termos um acidente.

E, em estrada?

Bom, a minha perceção e análise estática ao X-TRAIL foi a de um modelo no qual foi investido muito para o tornar uma dor de cabeça para a concorrência. Pelo menos no interior.

Em estrada a marca possui várias possibilidades de locomoção
• Um motor a combustão (não comercializado em Portugal)
• Um motor elétrico e um motor gerador a combustão que proporciona tração dianteira
• Dois motores elétricos, um em cada eixo e o motor a combustão que gera energia aos elétricos (e4orce).

E, foi precisamente este último o modelo ensaiado. Primeiras notas recaem sobre um automóvel de grandes dimensões, mas fácil de conduzir, intuitivo, previsível e com uma direção precisa, bem como no seu comportamento, verificado em autoestrada, mas também por muitas estradas de montanha e outras secundárias.

Uma nota para o conforto percecionado, mas sobretudo real do modelo. Mesmo circulando em vários ambientes, seja por estradas nacionais, algumas não nas melhores condições, estradões e off-road, o conforto do mesmo é de assinalar. Assinala-se também a qualidade da montagem, dos materiais e de construção que, num offroad foi testada.

Em modo offroad foi possível também compreender o modo assertivo como o modelo enfrenta estradões, mas também pisos bem mais degradados, onde a qualidade de condução do modelo e do software que gere a distribuição de potência em cada eixo e cada roda dá ao modelo rigoroso comportamento.

A Nissan guardou para o fim um teste mais “robusto” ao modelo recriando numa pista situações que dificilmente o condutor do X-Trail vai vivenciar no seu dia a dia, desde cruzamento de eixos, perda de tração ao solo de uma e de duas rodas, curvar e conduzir em pisos enlameados, aceleração máxima e travagem em lama para compreender o “não afundamento” da frente do modelo, transposição de obstáculos; curva em declive pronunciado e, por fim, parar o X-TRAIL a meio de um plano entre 70 a 80% de inclinação com piso enlameado e conseguir arrancar do mesmo local sem perda de tração. Este mesmo teste é demonstrativo da qualidade e capacidade do modelo a que não é alheio um sistema de software OTA, bem parametrizado e suficientemente testado para este tipo de situações, onde consegue descomplicar o que em situações extremas parece bem difícil.

O X- Trail apresenta-se por isso ao mercado em várias variantes desde o e-Power de 5 lugares e 7 lugares, ao e-power com tecnologia e-4orce, com valores entre 49.000 e os 59.000€, num modelo de classe 1 com via verde associada.

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