Enfermeiros da grande Lisboa estão hoje em greve. Sindicato espera “forte adesão” e alerta para “constrangimentos”

Os enfermeiros da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT) estão em greve esta quinta-feira para exigir uma valorização salarial e a admissão de mais profissionais, nomeadamente a vinculação efetiva dos enfermeiros com contratos precários.

O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) – que promove a ação – refere ainda que, a par da greve, há também uma concentração, pelas 11:30, em frente à sede da ARSLVT, que acusa de inação.

Em declarações à Multinews, Isabel Barbosa, dirigente do SEP de Lisboa, diz – sem concretizar com números – que se espera uma “forte adesão” à greve desta quinta-feira, da qual podem resultar “constrangimentos temporários” para os utentes.

“Mas o mais relevante é dizer que isto é uma greve também pelos direitos dos utentes, porque se não houver enfermeiros e profissionais valorizados não há Serviço Nacional de Saúde que nos valha”, sublinha.

Segundo a responsável, “é por esse motivo que há descontentamento e havendo descontentamento também há pessoas a sair e nós não queremos que isso aconteça”.

“Por isso os constrangimentos que poderão existir são temporários, mas com vista ao futuro dos utentes e, sobretudo, do Serviço Nacional de Saúde”, conclui a dirigente sindical.

A greve acontece um mês após uma denúncia pública pelo sindicato de vários “problemas e injustiças”, entre as quais a “inadmissível situação precária de cerca de 150 enfermeiros contratados, no contexto da pandemia [de covid-19], e que ficam fora das 152 vagas do concurso para vinculação”.

“Apesar dos descongelamentos de progressões, consagrado na Lei do Orçamento de 2018, a generalidade dos enfermeiros da ARSLVT [ACES, DICAD e Serviços Centrais] não tiveram qualquer valorização remuneratória nos últimos anos, muitos dos quais a exercerem há mais de 20 anos, porque o Conselho Diretivo [da ARSLVT] mantém um intolerável impasse”, considera o SEP em comunicado.

Entre os motivos que levam a esta greve está a exigência de “vinculação efetiva/definitiva de todos os enfermeiros com contratos precários”, a admissão de mais enfermeiros, de acordo com as necessidades assistenciais, destaca o SEP, salientando que, “para garantir os rácios [médios] preconizados pela Organização Mundial da Saúde, faltam 1.500 enfermeiros de família, para as mais de 1.500.000 famílias que residem na área da ARSLVT”.

Em termos de carreiras, os enfermeiros pretendem também a consolidação dos profissionais em situação de mobilidade, a manutenção das 35 horas semanais em todas as unidades funcionais, a constituição de listas de utentes por enfermeiro de família, a contabilização de pontos e correspondentes reposicionamentos remuneratórios, a transição de todos os enfermeiros especialistas e em gestão para as respetivas categorias e ainda a admissão de outros profissionais, nomeadamente para condução de viaturas e remoção de resíduos contaminados.

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