Eliminação de plásticos: Investigação denuncia falhanço dos supermercados europeus. Há um português nos 14 piores

Uma nova investigação Changing Markets Foundation, a organização líder no âmbito do Break Free from Plastic Movement, revela que os supermercados europeus estão a falhar nas metas para eliminar a utilização de plásticos e a posição portuguesa não é a melhor.

Mais de 130 retalhistas em 13 países europeus foram questionados em três categorias – transparência e desempenho, compromissos, e apoio à política governamental – e foi-lhes atribuída uma classificação percentual.

Portugal ocupa o meio da tabela, em sétimo lugar, com uma percentagem de 10,3% nesta matéria. A liderar está o Reino Unido, com 39,6%, França e Dinamarca completam o pódio, com classificações de 23,3% e de 17,1%, respetivamente.

A análise avaliou ainda individualmente os supermercados dos vários países investigados. A pontuação média global alcançada pelos retalhistas em três categorias foi de apenas 13,1 pontos (de um total de 100) ou 13%.

Apenas duas empresas ultrapassaram 60%, ocupando o topo da tabela: o Aldi no Reino Unido com 65,3%, e o Aldi na Irlanda com 61%, de acordo com os investigadores.

As restantes empresas com maior pontuação ficaram significativamente atrás: o Lidl no Reino Unido com 44,7%, o Carrefour em França com 41,7% e o supermercado orgânico francês BioCoop com 37%, constituindo as cinco primeiras.

Por outro lado, há 14 empresas que não receberam qualquer ponto e uma é portuguesa: Cora (Bélgica); BILLA e PENNY (Grupo REWE), o Coop e o Tesco (República Checa); a Maxima, Prisma e Selver (Estónia); o Leclerc (França); o Musgrave e Dunnes Stores (Irlanda); o Intermarché (Portugal); o Metro (Ucrânia); e o Carrefour (Espanha).

SCIAENA

Em Portugal, foram avaliados cinco retalhistas: Aldi, Auchan, Intermarché, Jerónimo Martins e Lidl. A Jerónimo Martins conseguiu ficar com o 20.º lugar no ranking, mas apenas 17,7 pontos em 100.  Lidl e Aldi alcançaram 13 pontos e Auchan oito. O Intermarche está no fim da lista, com zero pontos.

“A poluição plástica tem sido esmagadora para os ecossistemas, afetando a vida selvagem, agravando a crise climática e interferindo com a nossa saúde”, alertam os autores.

Segundo o relatório, “apenas passa uma semana sem que surja outro facto horrível sobre o devastador pedágio que o plástico faz ao planeta e aos seus habitantes”.

“Até agora, só em 2022, descobrimos microplásticos profundamente nos pulmões das pessoas, nos tecidos dos pacientes submetidos a cirurgia e no sangue da população”, sublinham.

Os investigadores dizem ainda ter aprendido “que os químicos encontrados no plástico quotidiano estão a corroer a fertilidade humana de tal forma que podem tornar impossível a reprodução sem assistência até 2040”.

“Apesar do ultraje, da ação coordenada e da crescente pressão de todos os setores da sociedade, a quantidade de plástico que a indústria está a colocar no mercado está a crescer e e a disparar”, concluem.

O relatório recomenda por isso que os retalhistas sejam transparentes e revelem a pegada plástica da sua própria marca e dos produtos de plástico de marca, bem como que estabeleçam objetivos consistentes em todos os mercados em que operam.

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