Educação: Quase 40% dos professores vão reformar-se até 2030. Portugal precisa de mais de 34 mil docentes na próxima década

Até 2030 cerca de 39% dos professores vão reformar-se e a redução de alunos prevista pela evolução demográfica do país (15%) não é compensada pelo número de jovens a matricularem-se em licenciaturas para serem professores. Portugal precisa de contratar 34.508 na próxima década.

As conclusões surgem do Estudo de Diagnóstico de Necessidades Docentes de 2021 a 2030, encomendado pelo Governo à Nova School Business Economics.

O número de diplomados na área de formação de professores foi de 1.567 no ano passado, ou seja, muito inferior ao número de professores que são necessários anualmente segundo estas projeções: 3.425.

Este fator, alia-se à insuficiência de candidatos em concursos de colocação na grande maioria dos grupos de recrutamento.

“À medida que aumentarem as aposentações e o número de professores com reduções de horário, “a pressão” para recrutar também vai subir, refere Luís Capela Nunes, coordenador da equipa da Nova School Bussiness Economics.

O mesmo estudo refere que, se for introduzida a universalização do ensino pré-escolar, será este o nível de ensino com maior necessidade de recrutamento, ascendendo aos 5.226 novos educadores até 2030/31.

Olhando para os níveis de ensino, é no pré-escolar que mais docentes vão sair da carreira. São 61% dos atuais educadores a reformarem-se na próxima década. Segue-se o 2.º ciclo (46%), o 3.º ciclo e secundário (38%) e 1.º ciclo (31%).

Do ponto de vista geográfico, é na região Centro que se vão aposentar mais docentes (43%), seguindo-se o Norte a Área Metropolitana de Lisboa (39% cada), o Alentejo (36%) e o Algarve (30%).

Os professores contratados pesam cerca de 39% de todo o corpo docente das necessidades futuras, refere ainda o mesmo estudo. Os docentes de quadro zona pedagógica, se tiverem mobilidade, podem reduzir a necessidade de recrutamento em 37%, porque há escolas com excesso de docentes e outras com professores a menos.

11 mil vinculações nos quadros 

O ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, disse esta quarta-feira na apresentação da pesquisa, que as cerca de 11 mil vinculações nos quadros nos últimos seis anos contribuíram para “mitigar” a insuficiência de professores.

No entanto ressalvou que apesar de as entradas em cursos de formação de professores terem aumentado, “ainda não são suficientes para reverter completamente as necessidades identificadas”, disse adiantado que serão apresentadas “medidas estratégicas” neste sentido.

Por sua vez, a Secretária de Estado da Educação, Inês Ramires, afirmou que o objetivo principal do Governo é conseguir que haja estabilidade nas carreiras dos professores, de forma a tornar a profissão mais atrativa.

Para isso, a tutela pretende redesenhar o início da prática profissional, através de estágios profissionais com “interação muito próxima do ensino supervisionado e os estagiários”.

Só a Universidade Aberta tem a modalidade de profissionalização em serviço e a tutela pretende alargar a outras instituições de ensino superior, explicou ainda Inês Ramires.

“Este trabalho será desenvolvido com instituições de ensino superior”, explicou a governante, apostando na profissionalização em serviço, para quem tem as habilitações científicas necessárias, com ensino supervisionado em contexto escolar.

“Não estamos a tentar simplificar entradas, estamos a tornar mais atrativa a entrada na carreira docente. Muitos alunos foram desincentivados com a ideia de que não havia emprego, não havia reconhecimento”, referiu Inês Ramires. “Vamos ter necessidade de docentes para todo o país e queremos os melhores professores”, disse.

Perante uma realidade em que existem escolas com mais facilidade em recrutar do que outras através da reserva de contratação, o Governo criou uma “task force” para trabalhar “caso a caso com as escolas para identificar as escolas que não estão a conseguir contratar para colmatar falhas”.

O governo quer ainda redimensionar os Quadros de Zona Pedagógica (QZP) e alterar os intervalos de horários relativos a necessidades temporárias, permitindo uma adequação às regras de contagem do tempo de serviço para efeitos de prestações sociais inerentes.

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