Do carapau ao alho seco: conheça os 10 produtos que mais aumentaram na última semana

Um cabaz de bens alimentares essenciais custa atualmente 212,76 euros, mais 29,13 euros (mais 15,87%) do que custava a 23 de fevereiro, véspera do início do conflito armado na Ucrânia. Nos últimos nove meses, os laticínios e a carne são as categorias com os maiores aumentos, de 20,79% e 19,41%, respetivamente.

Segundo o organismo, “no entanto, os aumentos têm-se feito sentir em todas as categorias alimentares. No período analisado, os congelados, as frutas e legumes, o peixe e as mercearias também viram os seus preços subir 17,96%, 14,45%, 14,38% e 13,34%, respetivamente” face a fevereiro.

Entre os dias 16 e 23 de outubro, os dez produtos com maiores subidas de preço foram o carapau (24%), as ervilhas ultracongeladas (18%), o café torrado moído (13%), o robalo (11%), os flocos de cereais (9%), dourada e azeite virgem extra (8%), as febras de porto e os medalhões de pescada (6%) e, por último, o alho seco (4%).

Já entre 23 de fevereiro e 2 de novembro foram a pescada fresca (50%), açúcar branco (49%), a polpa de tomate (48%), a laranja (41%), o leite UHT meio-gordo (37%), o bife de peru (33%), a bolacha maria e os ovos (32%), a cenoura e o frango inteiro (ambos com 31%).

A associação de defesa do consumidor tem monitorizado todas as semanas os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

A associação explica que este aumento se deve ao facto de Portugal estar “altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno”, que “representam atualmente apenas 3,5% da produção agrícola nacional: sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16%).

“E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome”, acrescenta a Deco.

O organismo esclarece que “a invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um setor há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks”.

“A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor”, sublinha.

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