DECO: preço do cabaz alimentar volta a subir. Pescada fresca aumenta 29% em apenas uma semana

O preço do cabaz de bens alimentares essenciais voltou a aumentar esta semana, contrariando a descida registada na semana anterior, segundo a análise da DECO Proteste aos valores praticados: “Custa esta semana 210,43 euros, mais 1,27% face ao que custava há apenas uma semana.”

Entre 23 de fevereiro e 28 de setembro, o peixe já registou um aumento de 18,62% (mais 11,23 euros). Fazendo as contas a apenas um quilo de salmão, de pescada, de carapau, de peixe-espada-preto, de robalo, de dourada, de perca e de bacalhau, o consumidor pode ter de gastar, em média, 71,54 euros. A carne, por sua vez, aumentou 17,59% (mais 5,67 euros). Para comprar um quilo de lombo de porco, de frango, de febras de porco, de costeletas do lombo de porco, de bifes de peru, de carne de novilho para cozer e de perna de peru, o gasto pode agora ser, em média, de 37,91 euros.

A associação de defesa do consumidor tem monitorizado todas as semanas os preços de um cabaz de 63 produtos alimentares essenciais que inclui bens como peru, frango, pescada, carapau, cebola, batata, cenoura, banana, maçã, laranja, arroz, esparguete, açúcar, fiambre, leite, queijo e manteiga.

Na última semana, os dez produtos com maiores subidas de preço foram a pescada fresca (mais 29%), os medalhões de pescada (mais 12%), o carapau (mais 8%), a courgete (mais 7%), o atum posta em azeite e o azeite virgem (mais 6%), o tomate e o iogurte líquido de morango (mais 5%), o fiambre de perna extra (mais 4%) e os cereais de trigo, arroz e aveia integrais (mais 3%).

Já os dez produtos que mais viram o seu preço aumentar nos últimos seis meses (desde 23 de fevereiro) foram a pescada fresca (mais 68%), os bróculos (mais 48%), a couve-coração (mais 41%), o frango inteiro (mais 33%), o bife de peru (mais 30%), o óleo alimentar 100% vegetal e a bolacha Maria (mais 27%), a batata vermelha e o carapau (mais 23%). Por último, a farinha para bolos, com um aumento de 21%.

A associação explica que este aumento se deve ao facto de Portugal estar “altamente dependente dos mercados externos para garantir o abastecimento dos cereais necessários ao consumo interno”, que “representam atualmente apenas 3,5% da produção agrícola nacional: sobretudo milho (56%), trigo (19%) e arroz (16%).

“E se no início da década de 90 a autossuficiência em cereais rondava os 50%, atualmente, o valor não ultrapassa os 19,4%, uma das percentagens mais baixas do mundo e que obriga o País a importar cerca de 80% dos cereais que consome”, acrescenta a Deco.

O organismo esclarece que “a invasão da Rússia à Ucrânia, de onde provém grande parte dos cereais consumidos na União Europeia, e em Portugal, veio, por isso, pressionar ainda mais um sector há meses a braços com as consequências de uma pandemia e de uma seca com forte impacto na produção e na criação de stocks”.

“A limitação da oferta de matérias-primas e o aumento dos custos de produção, nomeadamente da energia, necessária à produção agroalimentar, podem, por isso, estar a refletir-se num incremento dos preços nos mercados internacionais e, consequentemente, nos preços ao consumidor”, sublinha.

Os consecutivos aumentos dos preços ao consumidor, nomeadamente em produtos como os combustíveis e a alimentação, estão a contribuir para um aumento da taxa de inflação. De acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de inflação chegou aos 9,1% em julho deste ano. Já em agosto, segundo as estimativas do INE, deverá ter desacelerado ligeiramente para 8,97 por cento. Expressa em percentagem, a inflação traduz a subida média do nível de preços num determinado período.

Ler Mais



loading...
Notícias relacionadas