Covid-19: Subvariante Delta é mais infeciosa? Sim, mas “para já não é motivo de preocupação”, asseguram especialistas

As autoridades portuguesas encontraram nove casos de uma subvariante da Delta, que pode ser até 15% mais contagiosa, mas que para já, não é motivo de “preocupação”.

“Esta nova subvariante que foi identificada é, digamos assim, uma filha da variante Delta, e aquilo que se encontrou é que não aparenta trazer casos mais graves ou mais mortes, mas que poderá ser até 15% mais infeciosa do que a Delta original”, explica à Multinews Gustavo Tato Borges, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública.

Isto significa, adianta, “que esta nova subvariante pode transmitir-se mais facilmente. A verdade é que a maioria dos casos associados a esta mutação, têm sido identificados em países que não têm uma cobertura vacinal como a nossa, o que se torna difícil para perceber se vai causar muitos casos”.

Ainda assim, ressalva, “nesta fase temos nove casos identificados e apesar de o aumento de casos ser superior, esta nova variante não é responsável por isso. Para já deve ficar debaixo de olho, deve ser investigada, mas não ficaria alarmado com ela”, conclui.

Também Bernardo Gomes, professor na Faculdade de Medicina e no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto, concorda com esta posição. “Foi identificada uma sublinhagem que não está a representar uma preocupação de sobremaneira, para já”, refere à Multinews.

“O que acontece é que os gânglios que passaram da variante original para a Alpha (britânica) e desta para a Delta (indiana) são de muito maior transmissibilidade”, esclarece.

O especialista ressalva que “esta sublinhagem não apresenta para já uma preocupação de maior, mas reforça a necessidade de monitorizar e continuar a apoiar o INSA no seu esforço de monitorização das estirpes, isso é muito importante, para que percebamos se há variações importantes”.

“Neste momento, só em Inglaterra é que esta variante está a ter um ganho importante em termos percentuais e de representatividade. Quanto muito, poderá representar um pequeno aumento de transmissibilidade, mas nada a ver com o que se passou antes”, remata.

Já Henrique Oliveira, matemático, investigador e professor no Instituto Superior Técnico (IST), apesar de não comentar concretamente esta sublinhagem, “por se saber para já muito pouco”, sublinha que qualquer nova variante deve ser vigiada.

“Uma nova variante é sempre mais rápida do que a anterior”, mas mesmo que isso não aconteça, por algum motivo, se a vacina não for eficaz contra ela, “isso é de grande preocupação”, por isso “devemos monitorizar muito bem”, sublinha sem querer “especular” mais sobre o assunto, uma vez que para já, não há muita informação.

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