Covid-19: Rt e incidência sobem e colocam Portugal cada vez mais longe da zona verde da matriz

Depois de algumas semanas com uma trajetória de casos estabilizada e perto da zona verde da matriz de risco definida pelo Governo, Portugal está agora cada vez mais longe desse patamar, com o Rt e incidência a aumentarem todos os dias.

Esta segunda-feira, o índice de transmissão, o chamado Rt, subiu de 1,02 para 1,06, a nível nacional. Da mesma forma, a incidência aumentou de 86,1 casos por 100 mil habitantes para 92,4.

A subida destes dois indicadores coloca Portugal cada vez mais longe do verde (situação favorável), já na zona laranja (de risco) e a caminho – a passos largos – da vermelha, que significa a pior situação epidemiológica.

De acordo com o boletim epidemiológico da Direção-Geral da Saúde (DGS), divulgado hoje, Portugal regista mais 313 casos confirmados de infeção por Covid-19, cinco mortes associadas à doença e um aumento nos internamentos em enfermaria e em cuidados intensivos.

Estão agora internadas 290 pessoas, mais 21 do que no domingo, das quais 59 em unidades de cuidados intensivos, mais sete nas últimas 24 horas, adianta a DGS.

Especialistas consideram aumento “expectável” 

Especialistas ouvidos pela Multinews consideram que a situação de aumento “é expectável”, tendo em conta o desconfinamento, mas não deve ser alarmante e sublinham que a atual situação na Europa não deve ser “decalque para Portugal”, porque as circunstâncias são diferentes.

“Estamos a falar de uma variação perfeitamente expectável para esta altura do ano, tendo em conta a diminuição da implementação de medidas restritivas e o regresso à normalidade de quase todos os setores”, refere Gustavo Tato Borges, da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública.

Da mesma opinião é Bernardo Gomes, professor na Faculdade de Medicina e no Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto. “É natural que nos aproximemos do limiar dos mil casos, de forma paulatina. Neste momento estamos ainda a encaixar toda aquela questão da abertura do início de outubro”, refere.

Henrique Oliveira, matemático, investigador e professor no Instituto Superior Técnico (IST), sublinha que “os indicadores mostram que a doença está muito menos perigosa do que no princípio”, e que “apesar de estar a subir a incidência – o que tem que ver com a abertura das universidades e das discotecas – esse crescimento não é muito preocupante”.

Já para Tiago Correia, professor de saúde internacional do Instituto de Medicina e Higiene Tropical, a situação vivida nos outros países da Europa – onde os casos têm vindo a aumentar exponencialmente – “não deve servir de decalque linear para Portugal, porque o argumento desses países é que a incidência está a aumentar em virtude de o processo de vacinação estar estagnado, o que não é verdade” em Portugal.

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