Covid-19: Relaxar o isolamento nas escolas foi “um erro crasso a somar a outros”, aponta relatório

Um relatório do Instituto Superior Técnico (IST) da Universidade de Lisboa foi muito crítico para com a decisão do Governo de relaxamento dos isolamentos nas escolas, que terá sido “tomada sem fundamentação epidemiológica”. Numa altura em que Portugal tem mais de um milhão de pessoas em isolamento – por contágio ou contacto de risco com um infetado – e as escolas continuam a somar novos surtos todos os dias, o mais recente relatório apontou a medida como “um erro crasso a somar a outros”.

Segundo o ‘Situação dos Indicadores de Risco em Portugal’, conduzido pelo grupo de trabalho de acompanhamento da pandemia da Covid-19 em Portugal -2022 do IST e pela Ordem dos Médicos, a medida foi “tomada sem fundamentação epidemiológica, sem base em modelos, e sem avaliação do real impacto”. Recorde-se que, com esta medida, as crianças que entrem em contacto com um caso positivo não ficam em isolamento.

A medida em causa, segundo os especialistas, “provocou um número de isolados muito superior ao que seria expectável com as regras anteriores devido à expansão de contágios que provocou, sendo inútil (contrária) na redução de isolamentos e tendo um impacto muito severo na população em geral”. Foi ainda referido que o relaxamento do isolamento em escolas “corresponde a um erro de avaliação dos impactos futuros”, tendo sido descrito como “precipitada e laxista, que levou ao resultado contrário ao pretendido”, dando como exemplo o Natal de 2020.

Atualmente, Portugal é dos países com mais novos casos por dia e, só nos últimos sete dias, 54.683 crianças com idades entre os 0 e os 9 anos foram infetadas. Desde 17 de janeiro, uma semana após o regresso às aulas, a média de infeções diárias entre esta faixa etária ultrapassou a barreira das 7.800 infeções. Ao todo, ficaram infetadas mais de 100 mil crianças e jovens desde que as escolas reabriram no início do ano.

Com uma estimativa de 1.050.000 isolados para o dia 30 de Janeiro, os especialistas dizem que esta medida imposta nas escolas “terá impacto direto, por exemplo, na participação eleitoral”. Também o Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge (INSA) tinha associado a mudança nas regras das escolas como um dos fatores para a subida de novos casos que se verifica em janeiro e que tem vindo a bater recordes. De acordo com o mesmo relatório, estima-se que o pico de incidência de novos casos aconteça entre o início e 12 de fevereiro.



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