“As coisas podem complicar-se”. País deve voltar a confinar para travar explosão de novos casos, alerta especialista

Pedro Esteves, professor de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, e investigador do Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos (CIBIO), acredita que não vai demorar muito até que Portugal registe cerca de 10 mil casos diários por Covid-19.

“Com a falta de confinamento que há neste momento, não tenho dúvidas de que a situação vai piorar muito e se não tivermos cuidado, se não confinarmos, nem houver distanciamento social, os números estarão muito próximos daqueles que tivemos em janeiro”, disse, contactado pela Multinews.

Segundo o especialista, “em termos de capacidade de infeção, isto é, número de novos casos, acredito que é possível que cheguemos perto dos números de janeiro. Estamos a falar de cerca de nove, 10 mil novos casos” por dia, detalha.

Sobre o tempo que poderá demorar até Portugal atingir esses números, apesar de ressalvar que depende de vários fatores, nomeadamente o comportamento da população e novas medidas que possam ser adotadas, Pedro Esteves fala em cerca de “um mês, um mês e meio”, ainda que seja “difícil de prever”.

“A razão principal (para este aumento de casos) é a variante Delta (indiana), que tem uma capacidade de infeção maior, a que se junta também um facilitismo das pessoas, que faz com que a probabilidade de ficarem contaminadas seja maior”, esclarece o investigador.

Para Pedro Esteves, “o que é importante que as pessoas percebam é que as coisas podem complicar-se, mesmo estando vacinadas, esse é um dos problemas principais. As pessoas acham que estão protegidas mas os números de Inglaterra são bastante alarmantes e mostram que não é bem assim”, alerta.

“Neste momento, em Inglaterra 80% da população tem uma dose da vacina, 60% as duas e o número de casos, internamentos e mortes está a aumentar”, revela, sublinhando que “Portugal está ainda muito longe desses valores e, portanto, com o aumento da variante Delta, estamos a ver que a vacinação não está a ser tão eficaz como se pensava, temos de ter muito cuidado”.

Assim, para além de um controlo rigoroso de todas as fronteiras e da obrigação do cumprimento de quarentena a todas as pessoas que entrarem em Portugal, para o investigador importa “alertar a população”.

“As pessoas estão relaxadas, porque acham que com as duas tomas da vacina têm proteção total e não é isso que está a acontecer, nem vai acontecer”, refere, sublinhando a necessidade de as medidas serem “mais apertadas” para combater o vírus.

Nesse sentido, o especialista defende que as restrições de circulação implementadas para já, só na Área Metropolitana de Lisboa, sejam alargadas ao resto do país, que também luta contra a variante Delta.

“O último balanço do Instituto Ricardo Jorge mostra que a prevalência da variante em Lisboa é de 60%, mas no Norte também já é de 15% e em poucos meses vimos que esta variante dominou completamente a britânica em praticamente todo o território nacional”, refere o responsável.

Pedro Esteves conclui dizendo que “temos mesmo que pensar no geral, é quase impossível que as restrições fiquem confinadas a Lisboa, sob pena de termos de voltar a parar o país”.

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